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Mobilização pró-Lula repercute nas eleições de meio de mandato dos EUA

Mensagens nas redes e piadas sobre Flávio Bolsonaro entraram na campanha americana nesta terça-feira, com referências ao Brasil.

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Mobilização pró-Lula repercute nas eleições de meio de mandato dos EUA
Foto: Reprodução

A eleição de Lula entrou na disputa das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). Enquanto perfis progressistas citam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva como inspiração, Flávio Bolsonaro virou alvo de piadas e questionamentos.

No domingo, uma cena na Maratona de Nova York chamou atenção. À margem do percurso, um cartaz trazia a frase “Run like Flavio Bolsonaro” (“Corra como Flávio Bolsonaro”). A mensagem fazia referência à saída do senador do Brasil após a derrota eleitoral.

O registro circulou nas redes sociais e aumentou a repercussão do caso. Além disso, 25 deputados democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na quinta-feira anterior. Eles pediram explicações sobre o processamento do visto de Flávio e sobre eventual coordenação com outras agências federais.

Brasil vira referência para democratas

A deputada democrata Pramil Jayapal afirmou que um eventual resultado favorável aos democratas terá reflexos também fora dos Estados Unidos. “Se vencermos na terça-feira [nas eleições de meio de mandato nos EUA], exerceremos nossa função de fiscalização e investigaremos o que o governo Trump e o que a Meta fizeram no Brasil”, disse. Ela também falou em apoiar os resultados democráticos das eleições brasileiras.

No Instagram, publicações sobre o Brasil também ganharam força. A empresária Stacey, apresentadora do podcast The Stacey Show, publicou vídeos sobre a disputa presidencial brasileira. Depois do segundo turno, ela escreveu que o Brasil “mandou ele ir para o inferno”, em referência ao fascismo.

Em outra postagem, Stacey defendeu a devolução de Flávio Bolsonaro ao Brasil. Ela afirmou ainda que os Estados Unidos permitiram a entrada do senador e o chamou de “um dos maiores criminosos do mundo atualmente”.

Outras publicações passaram a destacar a mobilização dos apoiadores de Lula. A organização independente Feminist, com mais de 6 milhões de seguidores no Instagram, reuniu recomendações enviadas por brasileiros para eleitores estadunidenses. Entre as orientações, estavam compartilhar conteúdos pró-democratas e evitar interações que ampliem o alcance de publicações do movimento MAGA.

Uma brasileira escreveu que fez parte do “Exército do Lula”, canal no WhatsApp que acumulou mais de 10 milhões de pessoas. Ela pediu conversa com vizinhos, familiares, amigos e colegas de faculdade. Segundo a publicação, a mobilização ocorreu enquanto os fascistas se organizavam internamente.

Campanhas digitais inspiram ações

A hashtag “Vote like a Brazilian” (“Vote como um brasileiro”) também passou a aparecer em orientações de mobilização eleitoral. A influenciadora estadunidense Kay, que publica conteúdos sobre idiomas, recomendou caronas, telefonemas para familiares e apoio a idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

A atriz Jessica Craven, filha do diretor Wes Craven, também usou o exemplo brasileiro como referência. Ela disse que leu sobre como brasileiros comuns reverteram uma situação eleitoral e transformaram a disputa em vitória.

“Há coisas que podemos aprender com eles”, publicou. Entre as recomendações dela, estavam conversas com eleitores na vida real e ações nas redes para promover publicações democratas.

A criadora de conteúdo Morgan, identificada como @morganbetalkin, relatou ter recebido mensagens de brasileiros depois de publicar um vídeo sobre o voto no Texas. “Se vocês precisam de motivação, vejam o que o Brasil conseguiu fazer nesta semana em sua eleição”, escreveu. Uma seguidora respondeu: “Se o Brasil conseguiu, vocês também conseguem”.

A mobilização digital também despertou interesse internacional pelo “Exército do Lula”, iniciativa criada pelo deputado André Janones. O movimento inspira ações semelhantes de grupos de esquerda na França, na Argentina e na Espanha. Na segunda-feira, Janones se reuniu com o ex-ministro da Economia argentino Sergio Massa.

Nos Estados Unidos, a votação ocorre em meio à insatisfação com o custo de vida, a guerra no Irã e as políticas econômicas de Trump. As projeções apontam vantagem democrata na disputa pela Câmara dos Representantes, enquanto o controle do Senado segue incerto.