Durigan descarta tabelar juros e nega reunião de Lula com Lara Resende
Ministro da Fazenda e presidente do BNDES disseram que não há proposta de juros tabelados em discussão no governo.

Tabelar juros não está em debate no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A afirmação foi feita nesta segunda-feira (2) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em meio à repercussão sobre uma possível reunião com o economista André Lara Resende.
Durigan também negou que Lula tenha compromisso marcado com o economista. A informação sobre o encontro circulou como possibilidade para discutir alternativas à atual política econômica. No entanto, o ministro disse que não há agenda confirmada.
“Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”, declarou Durigan.
Mercadante também nega proposta
Aloizio Mercadante também rechaçou a discussão sobre a ideia de tabelar juros. O presidente do BNDES afirmou que o tema não apareceu na campanha e nem no governo. Além disso, ele disse que o presidente vai definir a equipe econômica do próximo mandato.
“Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica. A campanha já terminou, agora o presidente coordena o processo e define as responsabilidades”, afirmou Mercadante.
Segundo ele, a condução da economia ficará com a equipe escolhida por Lula para o quarto mandato. Ainda de acordo com Mercadante, o governo quer manter transparência e previsibilidade na política econômica.
Mercadante informou que Lula deve começar a discutir a organização do próximo governo a partir desta terça-feira (3). Desde a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), o presidente permaneceu afastado dos compromissos públicos, entre o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto, para descansar e recuperar a voz.
O que diz Lara Resende
André Lara Resende publicou, no fim de setembro, um artigo com propostas para a política econômica. Nele, o economista defendeu um novo modelo de coordenação entre as áreas fiscal e monetária. O objetivo, segundo ele, seria reduzir a taxa Selic.
Entre as ideias, Lara Resende sugeriu a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Esse órgão teria a função de definir metas para as duas áreas com horizonte de quatro a cinco anos.
O economista também propôs que o Banco Central mantenha os juros básicos em um intervalo ligado à meta de inflação e ao crescimento nominal potencial da economia. Além disso, ele defende uma redução gradual da Selic ao longo de cerca de 12 meses.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, conforme a decisão do Copom citada no material. Lara Resende avalia que o custo do crédito pesa sobre a economia brasileira. Por isso, ele defende mudanças nas referências da política monetária.
A proposta recebeu apoio da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais. Ela classificou o artigo como fundamental para enfrentar críticas à política fiscal brasileira.
Nesta segunda-feira (2), Gleisi também criticou a reação negativa de representantes do mercado financeiro à possibilidade de uma conversa entre Lula e o economista. Para a parlamentar, o presidente tem legitimidade para dialogar com especialistas e avaliar alternativas para a economia.



