Interdição na zona sul de SP afeta comércios na Chácara Santo Antônio
Bloqueio em cruzamento ligado às obras da Chucri Zaidan aumenta trajetos, reduz movimento e gera queixas de comerciantes.

Interdição na zona sul de SP tem provocado queixas de comerciantes, moradores e pedestres na Chácara Santo Antônio, em São Paulo. O bloqueio de uma passagem no cruzamento da rua Verbo Divino com a avenida Cecília Lottenberg começou em 17 de outubro, durante as obras de prolongamento da avenida Chucri Zaidan.
Segundo relatos de comerciantes, a mudança aumentou o tempo de deslocamento e reduziu o fluxo de clientes na região. O percurso de 200 metros passou a exigir até 1 km de caminhada, e o tempo, antes de cinco minutos, pode chegar a 20 minutos.
A interdição afeta uma área formada por prédios corporativos e restaurantes. Além disso, comerciantes dizem que o bloqueio mudou a rotina de quem trabalha no bairro, especialmente na hora do almoço. O prazo para o fim da intervenção é fevereiro do próximo ano.
Comerciantes pedem alternativa
Os empresários da região defendem uma solução provisória até a reabertura da travessia. De acordo com eles, a comunicação sobre o bloqueio ocorreu quatro dias antes, sem possibilidade de sugestões sobre o trajeto improvisado.
O trecho da Verbo Divino concentra bares, restaurantes, comércios e serviços. Levantamento da Abrasel identificou 32 bares e restaurantes, distribuídos por 29 endereços da rua, em um raio de até 500 metros do cruzamento.
Helder Antonio Emerenciano, dono do Empório P. Doce, contou que o faturamento caiu pela metade desde o bloqueio. Por isso, ele suspendeu o funcionamento aos sábados e demitiu duas pessoas.
Maria Cecília Paes de Barros, dona do La Manduca, também relatou queda no movimento. Segundo ela, clientes têm pedido delivery ou levado almoço de casa para evitar o deslocamento até os restaurantes.
No fim de ano, a preocupação aumenta. Ela afirma que empresas costumam fazer confraternizações nos restaurantes do bairro, o que pode ser afetado pela interdição.
Prefeitura cita segurança
Em nota, a SPObras informou que o fechamento da travessia ocorreu por segurança. A secretaria relacionou a medida à execução de túnel na avenida Cecília Lottenberg e ao uso de equipamentos de grande porte no local.
Além disso, a gestão de Ricardo Nunes disse que implantou rotas alternativas e sinalização orientativa. O comunicado distribuído no bairro também indica ruas como Paul Valéry, Alexandre Dumas, Antônio de Oliveira e Professor Jamil Anderaos, conforme o sentido da caminhada.
A prefeitura afirmou ainda que o local apresenta riscos ligados à movimentação de máquinas, caminhões e betoneiras. O texto também cita queda e projeção de materiais, solapamentos e outras situações associadas à obra.
A associação de moradores da Chácara Santo Antônio diz que faltou estudo de impacto de vizinhança. Luli Costa, presidente da entidade, afirmou que o bairro travou por causa da intervenção. Segundo ela, a associação apresentou 22 propostas de reformulação, e cinco foram aceitas.
A entidade também diz que houve pressão para marcar uma reunião com a secretaria na próxima quarta-feira (4). Luli afirma que a promessa era de encontros mensais, mas o último aconteceu em junho.
Obra acumula atrasos
A intervenção faz parte do prolongamento da avenida Chucri Zaidan, obra que se arrasta há quase duas décadas. Licitada em 2008, ela previa ampliar a via em cerca de 3,2 km e construir um túnel sob a avenida Cecília Lottenberg.
Uma primeira etapa foi entregue parcialmente em 2018. Depois disso, problemas contratuais e falta de recursos interromperam os trabalhos, segundo a prefeitura à época. A obra ficou paralisada por cerca de um ano e meio.
Em 2022, uma nova licitação foi aberta. Porém, o processo foi suspenso em fevereiro de 2023 por recomendação do Tribunal de Contas do Município e retomado em junho daquele ano. Em maio de 2024, a prefeitura anunciou novo contrato de R$ 376 milhões, com prazo de 36 meses.
As obras do túnel começaram em julho de 2025. A previsão atual é concluir o conjunto das intervenções em maio de 2027. O projeto inclui duas faixas por sentido, corredor de ônibus, calçadas acessíveis, ciclovia e paisagismo.
Segundo a gestão municipal, a obra deve melhorar a fluidez do trânsito, ampliar a capacidade do transporte público e facilitar a integração com metrô e trem. Além disso, a prefeitura estima benefício para cerca de 260 mil pessoas.
Interdição na zona sul de SP seguirá em pauta enquanto comerciantes aguardam solução provisória e a retomada da travessia no bairro.



