botos-cinza da baía de guanabara seguem ameaçados e resistem
Espécie símbolo do Rio perdeu espaço na baía, mas teve dois filhotes avistados no começo de 2026.

Os botos-cinza da Baía de Guanabara seguem ameaçados de extinção, mas ainda resistem no Rio. No começo de 2026, dois filhotes foram avistados na baía, apesar do declínio populacional registrado nos últimos anos.
A espécie estampa o brasão da capital fluminense há mais de 120 anos. Ainda assim, a população real enfrenta pressão da poluição e de outros impactos humanos. Segundo pesquisadores da UERJ, o nascimento dos filhotes ajuda a mostrar que a espécie continua viva na região.
população menor e risco maior
Rafael Carvalho, biólogo do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores, afirmou que os filhotes seguem vivos e têm quase sete meses. Ele disse que isso representa um bom sinal, embora não mude o cenário de ameaça.
O pesquisador explicou que o nascimento de filhotes ocorre todos os anos. No entanto, nem todos sobrevivem até a idade reprodutiva, que leva no mínimo seis anos para ser alcançada. Por isso, o crescimento populacional depende de condições ambientais mais favoráveis.
A primeira estimativa da espécie na Baía de Guanabara ocorreu em 1980, quando a população chegava a 400 animais. Em 2023, esse número não passava de 30. De acordo com o MAQUA-UERJ, a população local é a mais ameaçada de toda a distribuição da espécie.
poluição afeta a espécie
A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção mudou a classificação dos botos-cinza em julho. Eles saíram da categoria “vulnerável” e passaram para “em perigo”, em mudança considerada mais crítica.
Para Rafael Carvalho, a situação piora por causa da poluição na baía. Ele apontou efeitos químicos e sonoros, além de impactos ligados a atividades recreativas e industriais na superfície da água.
“Os potenciais poluidores da Baía de Guanabara têm caráter químico de diferentes fontes e sonoro. Isso para os botos pode ser crucial para a degradação e perda de habitats importantes para a sua sobrevivência, já que são residentes”, disse o biólogo.
O pesquisador também citou ocupação desordenada nas áreas do entorno, falta de saneamento básico, descarte clandestino de lixo e escoamento de rejeitos industriais. Segundo ele, tudo isso pode chegar à baía por meio do escoamento fluvial.
A poluição sonora também preocupa. Ruídos subaquáticos alteram as emissões sonoras de cetáceos, como os botos-cinza. Dessa forma, fundeios de navios, trânsito de embarcações e terminais podem prejudicar a espécie.
áreas de preservação
Hoje, a baía tem duas áreas de preservação ambiental: a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim e a Estação Ecológica da Guanabara. A APA Guapimirim é apontada como o local preferido dos botos, porque reúne águas menos sujas e menos ruído.
Para os pesquisadores, ampliar esses espaços pode ajudar a garantir que os filhotes cheguem à idade reprodutiva. Assim, a espécie pode ter mais chances de permanecer na Baía de Guanabara.



