MPRJ pede absolvição de cadeirante em processo da megaoperação
Promotoria diz ter dúvidas sobre a acusação contra Herbert da Silva de Souza, indiciado como soldado armado do tráfico na Penha.

O Ministério Público do Rio pediu a absolvição de Herbert da Silva de Souza, de 31 anos, em processo da megaoperação no Rio. Ele foi indiciado pela Polícia Civil como soldado armado do tráfico na Penha, na Zona Norte, no caso da Operação Contenção, ocorrida em outubro do ano passado.
Nas alegações finais, a promotora Juliana Pompeu, da 42ª Vara Criminal, apontou dúvidas sobre a acusação. Segundo ela, há incerteza sobre a possibilidade de Herbert exercer a função atribuída pelos investigadores, já que ele usa cadeira de rodas desde 2012.
Defesa apresentou documentos
Herbert ficou paraplégico aos 17 anos, após levar um tiro nas costas durante uma tentativa de assalto. O episódio ocorreu em março daquele ano, na Vila da Penha. A defesa apresentou documentos durante as audiências e disse que ele vive nessa condição há 14 anos.
Apesar disso, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes o indiciou como soldado armado do tráfico. De acordo com o relatório final, ele teria uso habitual de fuzil e integraria um grupo de WhatsApp da chamada “contenção”.
Esse grupo, segundo a investigação, reunia integrantes responsáveis pelo patrulhamento e pela proteção armada dos pontos de venda de drogas na comunidade. Durante uma audiência, o delegado titular da DRE, Moyses Santana, e outros policiais disseram não se lembrar especificamente de Herbert.
“Assim, há dúvida fundada acerca de sua capacidade de praticar a conduta a ele imputada, dúvida esta que milita a seu favor, de forma que, com relação a ele, a absolvição é medida que se impõe”, escreveu a promotora.
Outros réus no processo
No mesmo processo, o MPRJ pediu a condenação de outras 15 pessoas apontadas como integrantes do Comando Vermelho na Penha e no Complexo do Alemão. Ao todo, os 51 réus denunciados pelo Ministério Público foram divididos em três processos diferentes.
Um deles reúne 16 pessoas. Outro tem 33 denunciados que estão foragidos ou ainda não foram citados pela Justiça. O terceiro reúne apenas dois réus. Um dos acusados morreu, e a punibilidade foi extinta.
Em 5 de outubro, a promotora pediu a condenação dos 15 réus. Todos respondem por associação ao tráfico majorada, por crimes cometidos perto de escolas, com uso de arma de fogo e com objetivo de atingir crianças ou adolescentes.
Um dos réus também responde por tortura. A Megaoperação Contenção completou 1 ano na última quarta-feira (28).
Mpox avança no Rio
O Rio de Janeiro também registrou aumento expressivo nos casos de Mpox nos últimos dois meses. Foram 74 infecções confirmadas entre setembro e outubro, contra dez no mesmo período do ano passado.
O crescimento passa de sete vezes. Só em setembro, a capital concentrou 45 casos, o maior número em um único mês nos últimos três anos.
Em 2025, a cidade já soma 167 diagnósticos confirmados. O avanço ocorre em meio à falta de vacinas na rede municipal.
Atualmente, dez pacientes estão internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, em Manguinhos. No estado, 2026 já soma 211 casos confirmados, quase o dobro dos 119 registrados em todo o ano passado.
Há ainda 119 casos suspeitos em investigação. A Mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões na pele, fluidos corporais e secreções de pessoas infectadas.
A doença também pode passar pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis. Entre os sintomas estão febre, dores no corpo, dor de cabeça e lesões na pele, que podem evoluir para bolhas.
A imunização não faz parte do calendário de rotina. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é indicada para grupos específicos.
Entre eles estão pessoas vivendo com HIV com comprometimento grave do sistema imunológico, profissionais de laboratório que manipulam o vírus e quem teve contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados.
O deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de Saúde do Rio, defende que o Ministério da Saúde compre novas doses. Segundo ele, o aumento dos casos na capital é um sinal de alerta para outras regiões do país.



