mpox no Rio tem alta de casos e capital fica sem vacinas
Capital soma 74 infecções em dois meses, enquanto a rede municipal enfrenta falta do imunizante contra a doença.

Mpox no Rio registrou 74 casos confirmados entre setembro e outubro, na capital fluminense. O número supera em mais de sete vezes os dez registros do mesmo período do ano passado.
O avanço ocorre ao mesmo tempo em que a rede municipal enfrenta falta de vacinas contra a doença. Dez pacientes estão internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte.
Capital concentra alta recente
Os dados do Observatório Epidemiológico do município mostram que setembro teve 45 casos. Esse foi o maior número em um único mês nos últimos três anos.
Em todo o ano de 2025, a cidade já somou 167 diagnósticos confirmados. Portanto, o cenário mantém atenção das autoridades de saúde.
No estado, a situação também preocupa. Em 2026, o Rio já contabiliza 211 casos confirmados, quase o dobro dos 119 registrados em todo o ano passado.
Além disso, outros 119 casos suspeitos seguem em investigação. A doença é causada por um vírus e se transmite principalmente pelo contato direto com lesões, fluidos corporais e secreções.
Vacina segue restrita a grupos específicos
Também pode haver contágio pelo compartilhamento de roupas, toalhas e lençóis contaminados. Entre os sintomas, estão febre, dores no corpo, dor de cabeça e lesões na pele.
Essas lesões podem evoluir para bolhas. Embora a maioria dos casos seja leve ou moderada, a Mpox também pode provocar complicações graves e morte.
A vacina existe, mas não integra o calendário de rotina. O Ministério da Saúde recomenda a imunização para grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV com comprometimento grave do sistema imunológico.
Profissionais de laboratório que manipulam o vírus também entram nesse público. Além disso, a indicação inclui pessoas com contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados.
O deputado federal Daniel Soranz, do PSD e ex-secretário municipal de Saúde do Rio, defende novas compras de doses. Segundo ele, o aumento de casos na capital funciona como alerta para outras regiões do país.
Outras frentes de vacinação e atenção pública
Enquanto isso, a Prefeitura do Rio encerrou neste sábado a campanha especial de vacinação contra a meningite com o imunizante ACWY. A ação usou lotes remanescentes distribuídos pelo Ministério da Saúde.
O último dia teve alta procura e filas em diferentes pontos da cidade. Unidades como os Super Centros de Saúde de Botafogo, Campo Grande e Nova América ficaram sem doses antes das 11h.
Também houve esgotamento no Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, e na Policlínica Rodolpho Rocco, em Del Castilho. A Secretaria Municipal de Saúde informou que mais de 62 mil aplicações ocorreram apenas na última quinta-feira.
Em 25 dias, mais de 410 mil pessoas receberam o imunizante. A vacina protege contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite e da meningococcemia.
Fora da campanha extraordinária, o SUS restringe a aplicação regular a crianças de um a quatro anos e adolescentes de 11 a 14 anos. Também há oferta para bebês que recebem outros imunizantes no primeiro ano de vida.



