Mensagens citam Oruam em investigação sobre a ‘caixinha’ do CV
Polícia Civil analisa conversas no celular da esposa de Marcinho VP e relaciona o rapper a repasse de dinheiro do tráfico.

Mensagens encontradas no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Marcinho VP, citam o rapper Oruam em uma investigação da caixinha do CV. O caso envolve a suposta ligação da família com uma organização criminosa e repasses de dinheiro ligados ao tráfico, segundo a Polícia Civil do Rio.
De acordo com a apuração, Oruam teria ido a um ponto controlado por traficantes no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. O objetivo seria buscar dinheiro da chamada “caixinha” do pai. O relatório policial, no entanto, não informa o valor nem identifica os responsáveis pela entrega.
Como a investigação descreve a ‘caixinha’
Segundo a investigação, a “caixinha” seria abastecida por recursos arrecadados por lideranças do Comando Vermelho em comunidades dominadas pela facção. Parte desse dinheiro seguiria para Marcinho VP e para integrantes da família, por repasses diretos ou por intermediários.
A Polícia Civil afirma que Marcinho VP continua influente na administração financeira do grupo, mesmo preso há trinta anos. Ainda conforme a apuração, ele participa de decisões sobre recursos da organização, despesas familiares e investimentos.
O relatório também aponta que a arrecadação e a distribuição dos valores ficariam a cargo de membros da cúpula da facção. Entre eles, a investigação cita Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; Luciano Martiniano da Silva, o Pezão; e Eduardo Fernandes de Oliveira, conhecido como 2D.
Doca está foragido há mais de um ano, desde a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. Ele é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
MPRJ pede absolvição de réu paraplégico
No mesmo conjunto de processos, o Ministério Público do Rio pediu a absolvição de Herbert da Silva de Souza, de 31 anos, conhecido como “Negão”. Ele foi indiciado pela Polícia Civil como soldado armado do tráfico, mas a promotoria apontou dúvidas sobre a capacidade dele de exercer essa função.
Herbert usa cadeira de rodas desde 2012. A defesa comprovou a condição durante as audiências, com documentos que mostram que ele ficou paraplégico aos 17 anos, após ser atingido por um tiro nas costas durante uma tentativa de assalto, em março daquele ano, na Vila da Penha.
Mesmo assim, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes o indiciou como soldado armado do tráfico na Penha, com uso habitual de fuzil. A polícia também afirmou que ele integrava um grupo de WhatsApp da chamada “contenção”, formado por integrantes responsáveis pelo patrulhamento e pela proteção armada dos pontos de venda de drogas.
Em audiência, o delegado titular da DRE, Moyses Santana, e outros policiais disseram não se recordar especificamente de Herbert. Um dos agentes afirmou que, se soubesse da paraplegia, “não faz sentido ele ser soldado do tráfico”.
Nas alegações finais, a promotora Juliana Pompeu escreveu que há dúvida fundada sobre a capacidade dele de praticar a conduta atribuída. Por isso, o MPRJ pediu absolvição nesse caso.
Outros réus podem ser condenados
Na mesma ação, o Ministério Público pediu a condenação de outras 15 pessoas apontadas como integrantes do Comando Vermelho na Penha e no Complexo do Alemão. Os 51 réus denunciados foram divididos em três processos, e um deles morreu, com extinção da punibilidade.
Os acusados respondem por associação ao tráfico majorada, além de crimes cometidos perto de estabelecimentos de ensino, com arma de fogo e com objetivo de atingir crianças ou adolescentes. Um dos réus também responde por tortura.
Enquanto isso, a Megaoperação Contenção completou um ano na última quarta-feira (28). O processo segue em andamento, com decisões diferentes para cada grupo de acusados.



