Vazamento em entrevista expõe polêmica da favorita à prefeitura de Berlim
Elif Eralp admitiu medo de ativista ligado ao Hamas, e a divulgação do comentário ampliou a pressão sobre a candidata.

Um vazamento em entrevista trouxe nova pressão sobre a disputa pela prefeitura de Berlim. A candidata Elif Eralp, de 45 anos, admitiu medo de um ativista ligado ao Hamas. O comentário, publicado pela revista Der Spiegel, levantou dúvidas sobre sua capacidade de liderar a cidade.
Eralp, filha de imigrantes turcos, apareceu como a principal favorita ao cargo. Ela venceu as eleições de 20 de setembro e levou o partido A Esquerda a 25% dos votos. Além disso, sua plataforma inclui a estatização de mais de 200 mil apartamentos para enfrentar o problema da moradia na capital alemã.
Como a entrevista vazou
Na última segunda-feira (26), Eralp aceitou conversar com dois jornalistas da Der Spiegel. Na terça-feira, a revista enviou a entrevista para revisão, prática comum no jornalismo alemão. Porém, ao receber o material, os repórteres encontraram anotações e comentários anexados ao texto.
Segundo a revista, as observações tinham participação de Eralp, de um porta-voz e de um integrante do partido. Em uma resposta sobre a proximidade da legenda com ativistas pró-Palestina, ela lamentou a menção a Ibrahim Ibrahim, apontado como líder de um movimento próximo ao Hamas.
Na mensagem atribuída à deputada, ela escreveu: “Meu marido não quer, e eu também não, citar nomes concretos; ele tem medo dessas pessoas e eu também.” Depois disso, o porta-voz afirmou que não poderia alterar a pergunta dos jornalistas. Então, Eralp reagiu: “O que faço agora? Eu nunca deveria ter aceitado essa entrevista.”
Reação política e debate
A revista publicou o relato na quinta-feira (29), após deliberação interna, de acordo com seu editor-chefe, Dirk Kurbjuweit. No texto, a publicação disse que havia razões para não divulgar o conteúdo, sobretudo pelas preocupações de Eralp com a própria segurança. No entanto, avaliou que as implicações políticas eram inevitáveis.
“A Spiegel está convencida de que o público precisa saber disso”, afirmou a publicação. A repercussão abriu dois debates. Um deles questiona se a candidata mostrou fragilidade para comandar uma cidade que terá de enfrentar extremistas. O outro discute se a revista expôs receios pessoais que não haviam sido combinados na entrevista.
Aliados de Eralp divulgaram um manifesto nesta sexta-feira (30). Eles afirmaram que a candidata sofre ataques diários e chamaram a reportagem de “o mais novo ponto baixo”. O texto também diz que a divulgação de uma declaração interna, com preocupação sobre a segurança da família, causou consternação.
Além disso, Bodo Ramelow, vice-presidente do Bundestag, criticou a revista. Ele disse que Eralp, sua colega de partido, foi descrita como uma mulher frágil, o que reforçaria um estereótipo de gênero ultrapassado. A própria candidata afirmou que evitou declarações sobre simpatizantes do Hamas por orientação recebida de autoridades de segurança.
Eralp disse ainda que não fugirá do debate político. Porém, acrescentou que há limites, principalmente quando o assunto envolve a família. Mesmo com a polêmica, as negociações com os Verdes e os sociais-democratas do SPD continuam, e a formação de coalizão segue como principal desafio.



