Democratas cobram Lula e criticam Trump por negar eleição
Bancada no Congresso dos Estados Unidos pediu que o governo americano reconheça o resultado brasileiro e atacou falas de Flávio Bolsonaro.

O reconhecimento da eleição de Lula virou alvo de cobrança pública de líderes democratas no Congresso dos Estados Unidos nesta sexta-feira (30). A resistência de Donald Trump em aceitar a vitória do petista motivou a reação da bancada progressista, que também criticou Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os parlamentares pediram que o governo americano aceite o resultado brasileiro e rejeite as contestações feitas por Trump. Além disso, o grupo afirmou que a vitória de Lula ocorreu por mais de 4 milhões de votos.
Comunicação cobra mudança de postura
A manifestação foi assinada por Greg Casar, Ilhan Omar e Jesús García. Eles ocupam a presidência, a vice-presidência e a articulação política da bancada, respectivamente. O grupo reúne quase 100 deputados do Partido Democrata.
Na nota, os líderes afirmam que a parceria entre Trump e Bolsonaro na negação das eleições deve acabar. Eles também defendem que os Estados Unidos se juntem ao restante do mundo no reconhecimento dos resultados brasileiros.
“A parceria entre Trump e Bolsonaro na negação das eleições deve cessar imediatamente. Exigimos que os Estados Unidos se unam ao resto do mundo na aceitação dos resultados das eleições brasileiras”, diz o comunicado.
Os democratas ainda condenam tentativas de barrar a transição pacífica de poder. Segundo o texto, não se pode tolerar ações autoritárias que neguem resultados eleitorais ou anulem a vontade dos eleitores.
Críticas a Flávio Bolsonaro
A bancada também reagiu à declaração de Flávio Bolsonaro de que seria o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Os democratas classificaram a afirmação como “ultrajante” e disseram que ela ignora a derrota nas urnas.
Flávio publicou essa identificação em uma carta divulgada na quarta-feira (28), depois de chegar à Flórida. Depois, ele alterou o documento e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Na carta, o senador alegou fraude eleitoral sem apresentar provas. Ele também afirmou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e agradeceu a Donald Trump e a Javier Milei pelo apoio.
O parlamentar negou ter fugido. Além disso, justificou a saída do país como forma de escapar do que chama de perseguição política.
Pressão no Congresso americano
Ao final do comunicado, os líderes progressistas disseram que vão usar os instrumentos disponíveis no Congresso. O objetivo, segundo eles, é defender a integridade eleitoral e combater interferências de Trump no exterior.
O texto não detalha quais iniciativas serão adotadas. A divulgação ocorre às vésperas das eleições americanas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
Flávio chegou a Miami na quarta-feira, depois de passar pela Argentina. Sua saída do Brasil ocorreu sem o cumprimento da determinação de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes.



