PUC-Rio abre investigação sobre denúncia de racismo contra Marielle
Reitoria informou que recebeu denúncias pelos canais internos e adotou medidas administrativas e legais.

A PUC-Rio abriu uma investigação sobre racismo após denúncias sobre falas atribuídas a um aluno contra a memória de Marielle Franco. Em nota à comunidade universitária, a reitoria repudiou a discriminação e informou medidas administrativas e legais.
Segundo a instituição, a apuração ocorre no âmbito do Programa de Integridade. O comunicado não identifica o estudante, nem reproduz as declarações atribuídas a ele. Além disso, a universidade não informou quando os fatos teriam ocorrido.
Denúncias internas
A PUC-Rio afirmou que recebeu denúncias por seus canais institucionais. Por isso, acionou a Ouvidoria e o Canal Externo de Denúncias. A nota também não anuncia punição nem conclusão sobre o caso.
“A PUC-Rio, alicerçada em sua identidade e missão, repudia veementemente qualquer ato discriminatório cometido por membro de sua comunidade”, afirmou a instituição. A universidade, contudo, não detalhou outras medidas adotadas até agora.
Antes dessa manifestação, ataques à memória de Marielle nas proximidades da universidade já haviam provocado reações nas redes sociais. No dia anterior, manifestações de apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro ocorreram fora do campus.
Naquele período, a universidade havia proibido eventos político-partidários em suas dependências durante o período eleitoral. Conforme a apuração anterior, o influenciador Breno Faria, conhecido como “Café com Teu Pai”, debochou da morte da ex-vereadora.
Reações à memória de Marielle
Luyara Franco, filha de Marielle, publicou um vídeo em reação ao episódio. Ela afirmou que zombar do assassinato de sua mãe representa violência política e desrespeito à história da família.
Além disso, o Instituto Marielle Franco divulgou repúdio após a circulação dos vídeos e cobrou posição da universidade. A restrição aos atos político-partidários havia sido anunciada oficialmente em 12 de outubro.
Naquele documento, a Vice-Reitoria Comunitária classificou a decisão como preventiva e excepcional. Segundo a universidade, a medida buscava proteger a segurança e a convivência da comunidade acadêmica.
Na nova nota, a PUC-Rio destacou que Marielle se formou em Ciências Sociais na instituição. A universidade também citou a professora Lélia Gonzalez como referência para o pensamento sobre raça e gênero no país.
Por fim, a PUC-Rio afirmou que o compromisso institucional inclui educação antirracista e preservação da memória de mulheres ligadas à sua história. “O racismo nega essa dignidade e fere toda a comunidade”, declarou.
O documento é assinado pela reitoria e pela Coordenação Central de Integridade. Entretanto, ele não informa prazo para a conclusão da apuração nem confirma investigação policial sobre a denúncia.



