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Bolsa cai 17,5% na semana da eleição e perde R$ 996,5 bi

Ibovespa teve a pior semana desde 2020, enquanto o dólar subiu e os juros futuros avançaram após a reeleição de Lula.

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Bolsa cai 17,5% na semana da eleição e perde R$ 996,5 bi
Foto: Reprodução

A Bolsa cai semana da eleição e fecha o período com forte perda no mercado brasileiro. Depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa recuou 17,5% e as empresas listadas perderam R$ 996,5 bilhões em valor de mercado.

Os números divulgados mostram ainda avanço do dólar e alta dos juros futuros. O movimento ocorreu na semana seguinte ao resultado eleitoral e refletiu a mudança de expectativa dos investidores.

Ibovespa tem pior semana desde 2020

O levantamento indica que a queda do Ibovespa foi a pior desde março de 2020. Além disso, a desvalorização semanal ficou entre as cinco maiores desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

A pressão maior aconteceu na segunda-feira, dia 26. No pregão, a Bolsa caiu 13,88% e terminou em 176.608 pontos. Com isso, houve acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações.

O valor perdido pelas companhias representa a redução de mercado das ações. Portanto, o recuo não significa uma saída equivalente de dinheiro dos caixas das empresas.

Dólar sobe e juros avançam

O dólar avançou 9,18% na semana, a maior alta desde outubro de 2008. No acumulado de outubro, a moeda americana subiu 5,31% frente ao real, enquanto a Bolsa perdeu 9,21%.

Nos juros futuros, a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2031 passou de 12,64% para 15,3%. A diferença, assim, foi de 2,66 pontos percentuais.

A reportagem aponta que o mercado revisou as expectativas sobre a política econômica. Antes do segundo turno, parte dos investidores havia montado posições apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e em medidas de ajuste fiscal.

Depois do resultado, cresceram as preocupações com o equilíbrio das contas públicas e com a trajetória dos gastos. Dessa forma, o temor fiscal passou a pressionar juros e câmbio.

Mercado vê novas oscilações

Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, afirmou que investidores desfizeram posições e reconstruíram cenários. Ela disse que fatores que sustentam o interesse pelas ações brasileiras seguem presentes.

“O fator decisivo continua sendo a queda dos juros de longo prazo, e isso depende de previsibilidade fiscal, com regras claras e duradouras”, afirmou.

Relatórios de instituições financeiras citados no levantamento também projetam volatilidade. O BTG apontou desafios de negociação política para aprovar medidas e estimou o Ibovespa na faixa dos 170 mil pontos nas próximas semanas.

No câmbio, Morgan Stanley e JPMorgan indicaram R$ 5,50 como referência para os próximos movimentos. Ainda assim, as estimativas dependem da evolução das condições econômicas e políticas.

Em comparação com o exterior, o desempenho brasileiro foi mais negativo. O S&P 500 caiu 0,57%, a Nasdaq perdeu 1,99% e o Dow Jones recuou 0,85% na mesma semana.