Justiça Eleitoral investiga coação eleitoral em Tanguá
Vídeos citados na decisão mostram ameaças ligadas a cestas básicas e motivam apuração sobre possível uso da assistência social.

A Justiça Eleitoral investiga coação eleitoral em Tanguá, na Região Metropolitana do Rio, após vídeos com ameaças ligadas a cestas básicas. A decisão, tomada pela juíza Viviane Ramos de Faria, da 151ª Zona Eleitoral, também determinou a identificação das mulheres citadas no caso.
Além disso, a magistrada deu prazo de dois dias para que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Assistência Social apresentem informações. O objetivo é esclarecer possíveis vínculos das envolvidas com a administração pública e os atendimentos feitos durante o período eleitoral.
Vídeos e denúncia motivaram a apuração
A investigação começou depois de uma notícia de crime apresentada por Monica da Silva Bicudo, presidente do diretório municipal da Rede Sustentabilidade em Tanguá. A denúncia veio acompanhada de dois vídeos, que, segundo a representação, mostram declarações discriminatórias e possíveis ameaças sobre benefícios sociais.
De acordo com a decisão, os fatos têm gravidade e apontam indícios de possíveis crimes. Entre eles, a Justiça menciona injúria racial e coação ou constrangimento ao exercício livre do voto. Assim, o caso passou a ser apurado de forma formal.
A suspeita é de que as mulheres tenham usado a possibilidade de retirar ou negar cestas básicas para pressionar moradores. Isso teria ocorrido por causa das preferências políticas nas últimas eleições. A Justiça também quer saber se houve uso indevido da estrutura da Prefeitura ou dos programas sociais.
Na prática, a apuração busca descobrir se moradores receberam ameaça de perder benefícios municipais por causa do voto. Ou, ainda, se o apoio a determinados grupos políticos interferiu na oferta de assistência social.
Identificação das envolvidas
Uma das mulheres foi identificada por meio de um perfil na rede social chamado Witoria Laryssa. A outra foi apontada como Danielle, supostamente vinculada ao Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS de Bandeirantes II.
Por isso, a Justiça determinou que a equipe da zona eleitoral faça a identificação formal das duas. O levantamento deverá incluir nome completo, CPF, identidade, filiação, endereço residencial e contatos. Também devem ser apurados o local e o horário em que os vídeos foram gravados.
O prefeito André Paixão, do União Brasil, e a secretária municipal de Assistência Social, Hezimara Duarte, também foram notificados. Eles devem informar se as mulheres trabalham ou já trabalharam na administração municipal.
Essa verificação inclui qualquer tipo de vínculo. Portanto, a Prefeitura precisa indicar se houve função efetiva, cargo comissionado, contrato temporário, prestação de serviços ou terceirização.
Documentos sobre cestas básicas
A Justiça Eleitoral também solicitou o histórico de distribuição de benefícios sociais. A Prefeitura deverá apresentar dados sobre os atendimentos e os procedimentos ligados à assistência feitos pelas duas mulheres desde 16 de agosto de 2026.
O pedido inclui informações sobre a entrega de cestas básicas, com identificação dos moradores atendidos, datas, horários e registros de concessão ou negativa dos benefícios. Para os atendimentos a partir de 26 de outubro de 2026, a juíza exigiu dados individualizados.
Com isso, a apuração poderá comparar os registros do período eleitoral e verificar mudanças na distribuição dos alimentos. A Justiça também quer saber se algum morador teve o benefício negado ou suspenso em circunstâncias ligadas às ameaças mostradas nos vídeos.
Depois que a identificação for concluída e a Prefeitura encaminhar os documentos, todo o material seguirá para o Ministério Público Eleitoral. Caberá ao órgão analisar as provas e decidir se há elementos para continuar a investigação criminal. A magistrada determinou urgência no cumprimento das medidas.



