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Governo Tarcísio exonera servidora PCD após crítica a Flávio Bolsonaro

Silvana Gimenes perdeu a função comissionada dois dias depois de publicar texto contra fala sobre Lula, mas segue no serviço público.

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Governo Tarcísio exonera servidora PCD após crítica a Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução

O governo Tarcísio de Freitas exonerou, na segunda-feira (26), a servidora Silvana Gimenes de um cargo comissionado. A medida ocorreu dois dias após uma crítica dela à fala de Flávio Bolsonaro sobre a deficiência de Lula. Silvana atuava como coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Apesar da saída da função, a servidora continua no serviço público. Ela disse que não pode afirmar se a exoneração teve relação com a publicação. Já a secretaria informou que a mudança ocorreu por ajustes administrativos.

Crítica nas redes

Silvana trabalha há 41 anos no serviço público e atua na área da pessoa com deficiência. No sábado (24), ela criticou a expressão usada por Flávio durante o debate presidencial da TV Globo. O senador chamou Lula de “nove dedos”, em referência ao dedo perdido pelo presidente em um acidente de trabalho.

Na publicação, ela relacionou a fala a preconceitos que, segundo escreveu, podem aparecer em atitudes e discursos. Além disso, afirmou que vive a experiência de ser mulher, LGBT e pessoa com deficiência.

“Ao ouvir o 22 [número de urna de Flávio] chamar Lula de ‘nove dedos’, apenas constatei o que sempre digo. O preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia podem estar escondidos, mas sempre vêm à tona”, escreveu.

Ela também afirmou que só quem passa por esse tipo de situação entende o impacto das ofensas. “Sou mulher, LGBT com deficiência e luto por respeito e dignidade. Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter uma deficiência, doença rara ou condição congênita”, disse.

Leia também: entenda o debate sobre capacitismo

Como ocorreu a exoneração

Segundo o relato da servidora, o secretário Marcos da Costa avisou ao superior dela que haveria dispensa. “Infelizmente, a justificativa utilizada pelo secretário Marcos da Costa para o meu superior foi que haveria mudanças na equipe e que ele começaria por mim”, contou.

Depois disso, Silvana disse que recebeu uma ligação orientando-a a voltar para casa. Ela também afirmou que a saída atingiu apenas o cargo comissionado, e não o vínculo com o Estado.

Mesmo assim, a servidora evitou ligar a exoneração diretamente à crítica feita nas redes. “Acima de tudo, sou pessoa com deficiência e sempre lutei contra falas preconceituosas. Não podia me calar. Contudo, não posso afirmar que foi por isso, seria leviano da minha parte”, declarou.

Em nota, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência informou que a função tem livre nomeação e exoneração. A pasta também disse que a saída da então titular decorreu de ajustes administrativos.

“A exoneração da então titular decorreu de ajustes administrativos na secretaria”, informou o órgão.