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PF aponta mensagens autodestrutivas entre Flávio Bolsonaro e advogado

Investigação cita conversas apagadas, viagem a Portugal e suspeita de lavagem ligada a casas de apostas estrangeiras.

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PF aponta mensagens autodestrutivas entre Flávio Bolsonaro e advogado
Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou indícios de mensagens autodestrutivas Flávio Bolsonaro trocadas com o advogado Willer Tomaz. A apuração cita um aplicativo que apaga conversas e dificulta a recuperação do conteúdo. O senador aparece na investigação como um dos contatos favoritos do advogado, segundo os investigadores.

Willer Tomaz é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos. A suspeita envolve valores relacionados a casas de apostas estrangeiras. Flávio já negou irregularidades e afirmou, em declaração anterior, que a amizade com o advogado é legítima.

Aplicativo dificulta recuperação

De acordo com a PF, a plataforma usada nas comunicações impede o armazenamento das mensagens. Além disso, o serviço bloqueia capturas de tela, encaminhamento, impressão e salvamento do conteúdo. Para a corporação, esse tipo de ferramenta pode indicar tentativa de dificultar a reconstrução dos diálogos.

Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, os investigadores afirmaram que o uso do aplicativo sugere, em tese, a intenção de impedir a reconstituição posterior das conversas. No entanto, a própria investigação registra que a ferramenta, sozinha, não comprova crime.

A PF também levou o caso ao ministro Alexandre de Moraes e pediu medidas cautelares contra o senador. A corporação relatou que os elementos reunidos ganharam relevância com outros dados da apuração. Assim, os investigadores passaram a tratar as mensagens como parte de um conjunto mais amplo de indícios.

Conta e viagem entram na apuração

A investigação também cita indícios de que Flávio Bolsonaro teria figurado como usuário master da conta bancária da Alcazar Holding. A empresa tem ligação com Willer Tomaz. O período em que o senador teria mantido esse acesso, porém, ainda não foi determinado.

Segundo a PF, essa condição poderia indicar participação direta na gestão dos recursos da companhia. A Alcazar Holding está registrada em Portugal, no mesmo endereço da Cathedral Holdings. Essa outra empresa foi constituída por Willer Tomaz na Ilha da Madeira.

Os investigadores também citaram uma viagem feita pelos dois em maio de 2025. Flávio Bolsonaro e Willer estiveram em Portugal e embarcaram juntos, no dia 23 daquele mês, em um voo executivo de Cascais para Nice, na França. Para a PF, o deslocamento reforça a necessidade de apurar a proximidade entre o senador, o advogado e empresas ligadas a ele no exterior.

A corporação informou ainda que Willer foi alvo da Operação Sem Desconto em 4 de agosto. Na ocasião, o celular dele foi apreendido. A análise dos dados do aparelho levou os investigadores a examinar possíveis conexões com operações suspeitas envolvendo casas de apostas.

Restrição de viagem e saída do país

A representação da PF foi apresentada em 25 de outubro, às 21h11, sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Moraes atendeu ao pedido e determinou a proibição de saída do país. A decisão também atingiu Willer Tomaz, com cancelamento de passaportes.

Apesar da restrição, registros migratórios citados na investigação indicaram que Flávio usou um passaporte italiano para entrar na Argentina. Depois, na noite de terça-feira, 27 de outubro, ele deixou o aeroporto de Puerto Iguazú. Em seguida, embarcou em um jato executivo que saiu da cidade argentina na madrugada de quarta-feira, 28, fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para Miami, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal também apontou que Willer Tomaz estava no exterior desde agosto, possivelmente em Miami, sem registro de retorno ao Brasil. De acordo com os delegados, ele teria recursos financeiros suficientes para permanecer fora do país por tempo indeterminado.

A defesa de Willer classificou as medidas contra ele como desproporcionais. Além disso, disse que Flávio Bolsonaro nunca movimentou as contas do advogado. Até a publicação da apuração, Flávio não havia se manifestado sobre os novos apontamentos.