PF investiga saída de Flávio Bolsonaro para a Argentina
Polícia Federal apura possível ajuda de Eduardo Bolsonaro para ocultar a rota usada pelo senador até a fronteira.

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil entrou na mira da Polícia Federal nesta semana. Os investigadores apuram como o senador deixou o país pela fronteira com a Argentina, apesar de decisão do Supremo Tribunal Federal que o impedia de sair.
Além disso, a PF suspeita que Eduardo Bolsonaro tenha ajudado a desviar a atenção sobre o percurso usado pelo irmão. As apurações ainda tentam esclarecer se houve participação de integrantes do governo argentino nessa movimentação.
Rota usada na fronteira
Segundo as informações reunidas pelos investigadores, a família de Flávio não teve registro oficial de saída no Brasil. Ainda assim, autoridades migratórias da Argentina confirmaram a entrada do senador, de Fernanda e das duas filhas pela Ponte Internacional Tancredo Neves.
O cruzamento ocorreu na noite de terça-feira (27), entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Imagens de câmeras de segurança mostram movimentação na ponte por volta das 22h50, pouco antes do horário apontado pela entrada na Argentina.
No ponto da fronteira citado na investigação, o registro formal de saída do lado brasileiro não é obrigatório. Por outro lado, a apresentação de documentos e o controle migratório valem do lado argentino.
Documentos e controle migratório
A Polícia Federal informou que cancelou os passaportes brasileiros de Flávio Bolsonaro. Também incluiu um alerta no Sonar, sistema usado para controle migratório em fronteiras, aeroportos e portos.
A corporação esclareceu, porém, que restrições a documentos não transformam alguém em foragido automaticamente. Além disso, a medida não autoriza prisão, vigilância permanente ou outras cautelares por si só.
Flávio embarcou em um avião particular com passaporte italiano. Fernanda e as duas filhas menores viajaram com passaportes brasileiros.
O ministro Alexandre de Moraes havia determinado o cancelamento e a entrega dos passaportes comum e diplomático do senador. Em outra decisão, ele afirmou que a proibição de deixar o Brasil decorria dessa ordem anterior.
Voo para o Equador e depois aos Estados Unidos
Após a travessia, a família seguiu para o aeroporto de Puerto Iguazú, a cerca de 20 quilômetros da fronteira. Segundo o governo argentino, o grupo embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires, com destino a Guayaquil, no Equador.
Dados de monitoramento aéreo indicam que a aeronave decolou às 0h22, no horário de Brasília, e seguiu uma rota que evitou o espaço aéreo brasileiro. Depois, o avião pousou em Guayaquil às 5h46 e voltou a decolar às 6h22, desta vez rumo aos Estados Unidos.
A aeronave era um Gulfstream G400, modelo que pode levar até 13 passageiros, conforme informações comerciais citadas na apuração. A empresa Baires, por sua vez, também aparece sob investigação da Justiça argentina em um suposto esquema de propina envolvendo Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei. Ela nega envolvimento.
As diligências da Polícia Federal começaram na terça-feira (27). Agora, os investigadores tentam reconstruir o trajeto de Flávio Bolsonaro até a fronteira e identificar eventuais participantes.
Até o momento, a apuração não apresentou conclusão que confirme a participação de Eduardo Bolsonaro ou de autoridades argentinas no caso.



