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PF investiga Paulo Guedes por suspeita contra sistema financeiro

Ex-ministro da Economia aparece em inquérito sigiloso no Paraná, junto com empresário da OnilX, em apuração da Polícia Federal.

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PF investiga Paulo Guedes por suspeita contra sistema financeiro
Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O caso tramita em sigilo na Justiça Federal do Paraná, e o inquérito foi aberto em fevereiro deste ano.

A apuração envolve um negócio ligado a criptomoedas e cobranças judiciais feitas por investidores. Além disso, Guedes prestou consultoria à OnilX e participou de encontros com potenciais clientes, reuniões estratégicas e eventos de divulgação da empresa.

Inquérito sob sigilo no Paraná

O inquérito foi autuado em 10 de fevereiro na 9ª Vara Federal de Curitiba. A investigação está sob responsabilidade da PF no Paraná, com participação do Ministério Público Federal. O assunto principal registrado no processo é “crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”, previstos na Lei nº 7.492/1986.

Segundo o material consultado, o empresário responde por uma companhia que enfrenta cobranças judiciais de investidores. Eles dizem ter dificuldades para recuperar recursos aplicados em produtos ligados a criptomoedas.

Guedes também teve a imagem usada em materiais de divulgação da OnilX. A empresa oferecia rendimentos de até 2,8% ao mês, conforme a divulgação citada no caso.

Consultoria e presença em eventos

Em uma publicação da própria companhia, Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa. O encontro foi descrito como de “alta relevância estratégica”. O ex-ministro também foi apresentado como alguém que oferecia “suporte e visão” ao negócio.

Além disso, ele participou de palestras para investidores e assessores. Em uma delas, diante de quase 500 pessoas, elogiou a companhia e atribuiu a ela um papel central no avanço do mundo digital.

A proximidade com o ex-ministro também aparece em ações judiciais. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da OnilX disse à Justiça que manteve e ampliou os investimentos após uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril.

Segundo os investidores, quatro meses depois houve uma tentativa frustrada de resgatar os valores. Em outro processo, uma mensagem atribuída a uma assessora disse que Guedes “tá dentro da empresa”.

CVM e ações judiciais

Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Depois, o colegiado manteve a restrição em abril, mas esclareceu seu alcance.

A CVM informou que a medida não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

Entre 12 de junho e 10 de setembro, a apuração citada identificou 108 ações judiciais contra o grupo. Os processos relatam dificuldade para resgatar aplicações ligadas a criptomoedas e stablecoins. Alguns investidores também levantam suspeitas de pirâmide financeira.

A OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. O andamento processual consultado ainda mostra diligências ao longo do ano, com novas petições e atos policiais.

Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao MPF. Em outubro, o inquérito continuou a registrar movimentações, mas os documentos não detalham quais condutas são atribuídas individualmente aos investigados.

Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também aparecem na defesa de Fábio Lino no inquérito. A defesa não respondeu aos contatos até a publicação das informações originais.