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Nordeste soma 14,7 milhões de ataques após reeleição de Lula

Levantamento da Ativaweb DataLab aponta onda de hostilidade nas redes entre a noite de domingo e a quarta-feira seguinte.

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Nordeste soma 14,7 milhões de ataques após reeleição de Lula
Foto: Reprodução

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma nova onda de hostilidade nas redes sociais contra o Nordeste. O monitoramento da Ativaweb DataLab registrou cerca de 14,7 milhões de menções ofensivas à região entre a noite de domingo (25) e as 16h de quarta-feira (28). A ataques ao Nordeste aparece no centro do levantamento, que analisou publicações, comentários, links e compartilhamentos.

No mesmo período, o estudo identificou 18.567.871 menções ligadas ao Nordeste e ao resultado eleitoral. Desse total, 79,3% receberam classificação crítica, enquanto 20,7% entraram como defesa da região. Lula obteve sua maior votação no Nordeste, e isso também apareceu nas discussões monitoradas.

Ofensas avançam além da disputa

Segundo a análise, a reação nas redes não ficou restrita à disputa entre candidatos. O levantamento apontou ataques contra nordestinos como grupo, com referências depreciativas à inteligência, às condições econômicas e à identidade regional. Além disso, o estudo cita comparações com animais e doenças, além de defesa da separação do território do restante do país.

O documento afirma que a crítica extrapolou o debate político. De acordo com o texto, os ataques partiram de usuários de todas as regiões do país. Porém, houve presença forte de perfis do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste nas menções ofensivas ao Nordeste.

O estudo também diz que a conversa não foi equilibrada entre posições opostas. Em vez disso, a defesa da região apareceu em menor volume, embora tenha sido mencionada em parte das publicações analisadas.

Comparação com o primeiro turno

A hostilidade registrada após o segundo turno ficou abaixo do volume captado depois da votação de 4 de outubro. Naquele primeiro recorte, o levantamento apontou cerca de 27 milhões de ataques nas 72 horas seguintes ao pleito. Ainda assim, a proporção de menções ofensivas continuou alta.

O estudo somou os dois períodos e chegou a 51.446.082 menções sobre o voto nordestino. Desse total, 41.750.211 tiveram tom crítico à região. Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a repetição desse padrão mostra persistência do discurso hostil.

Maracajá afirmou que a hostilidade recuou 2,9 pontos percentuais em relação ao primeiro turno. Ele disse ainda que a mudança foi pequena entre os dois momentos. A interpretação do estudo ressalta que o comportamento nas redes continuou muito semelhante.

Perfil dos autores

Entre os autores das manifestações críticas, 52,3% eram perfis identificados como masculinos. As contas femininas somaram 24,5%. Nos 23,2% restantes, o monitoramento não conseguiu identificar o gênero.

O levantamento incluiu Facebook, Instagram, TikTok e X. Também considerou comentários no YouTube e no Kwai. Os números se referem às menções capturadas nessas plataformas e incluem compartilhamentos, mas não a quantidade de pessoas envolvidas nos ataques.

As informações foram divulgadas em um estudo da Ativaweb DataLab. A análise reuniu conteúdo que relacionava o Nordeste, seus moradores ou os estados nordestinos ao resultado das urnas, logo após a reeleição de Lula.