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Doca, Pedro Bala e outros chefes do CV seguem foragidos

Um ano após a Megaoperação Contenção, 33 alvos de mandados de prisão ainda não foram localizados no Rio.

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Doca, Pedro Bala e outros chefes do CV seguem foragidos
Foto: Reprodução

Um ano após a megaoperação Contenção, 33 alvos de mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho seguem foragidos no Rio de Janeiro. Entre eles, estão nomes apontados como parte da liderança da facção nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte. Os dados constam de relatórios do governo estadual enviados ao Supremo Tribunal Federal.

O levantamento reúne informações da Polícia Civil e mostra que a operação, realizada em 28 de outubro de 2025, ainda repercute nas investigações. Além disso, o caso mantém em evidência a busca por integrantes da cúpula do grupo criminoso. No total, a ação terminou com 122 mortos e 99 presos.

Quem continua procurado

Entre os foragidos estão Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; Carlos da Costa Neves, o Gardenal; Washington César Braga da Silva, o Grandão ou Síndico da Penha; e Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW ou Rex. Segundo os investigadores, todos ocupam posições relevantes na estrutura do Comando Vermelho.

Doca é apontado como chefe do tráfico no Complexo da Penha. Ele tem 56 anos, nasceu em Caiçara, na Paraíba, e está na região desde 2016. De acordo com as apurações, ele dá ordens para expansão territorial, participa de decisões estratégicas e atua na compra de armamento pesado.

O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à captura de Doca. Também segundo as investigações, uma casa chamada “Toca do Urso” servia de base para ele. Nesse entorno, policiais mapearam um esquema de segurança organizado por integrantes da facção.

Papel atribuído a cada nome

Pedro Bala, de 44 anos, aparece como braço direito de Doca e uma das principais lideranças do grupo na Penha. As investigações afirmam que comunicações internas o tratam como chefe. Além disso, a polícia atribui a ele decisões sobre o funcionamento do tráfico e sobre movimentações financeiras da organização.

Gardenal, por sua vez, é apontado como homem de confiança da cúpula no complexo. Segundo a apuração policial, ele coordenou ações para ampliar o domínio da facção em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste. Também teria cuidado da compra de fuzis, do controle de munições e do uso de drones para monitorar forças de segurança.

Grandão, chamado de Síndico da Penha, tem 36 anos e é descrito pela Polícia Civil como responsável pela rotina dos integrantes do grupo no complexo. Ele organizava escalas de plantão armado, coordenava vigilantes em trincheiras e participava da distribuição de pagamentos aos membros da facção.

Já BMW ou Rex é apontado como integrante da chamada “Equipe Sombra”, ligada a execuções determinadas pela cúpula. De acordo com os investigadores, ele também chefiava o tráfico na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e treinava integrantes para atirar com fuzis na região da Pedreira.

Mandados e questionamentos

Antes da ação, o Ministério Público denunciou 69 pessoas. A Justiça recebeu a denúncia e expediu mandados de prisão contra 51 investigados. No dia da megaoperação, a polícia prendeu 99 pessoas, sendo 17 por mandados judiciais e 82 em flagrante.

As investigações apontam ainda que BMW passou a usar o apelido Rex após a suspeita de participação como mandante da execução de três médicos na Barra da Tijuca, em 2023. As vítimas participavam de um congresso de medicina e teriam sido confundidas com milicianos de Rio das Pedras.

Um ano depois, especialistas em segurança pública ainda questionam os efeitos da operação sobre o Comando Vermelho. Embora alguns indicadores tenham caído, pesquisadores afirmam que esses números, sozinhos, não provam perda de território pela facção.

Nesta quarta-feira (28), a 3ª Defensoria Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos divulgou relatório sobre imagens de câmeras usadas por policiais na ação. Segundo o documento, a análise encontrou indícios de tortura, agressões, ameaças de morte e intimidação de moradores.