ClickRio
Últimas

Boicotes a comércios no Rio chegam à polícia e à Justiça

Listas com nomes de estabelecimentos e profissionais ligados a Lula se espalham em cidades do estado e geram denúncias.

· 2 min de leitura
Boicotes a comércios no Rio chegam à polícia e à Justiça
Foto: Reprodução

O boicote a comércios ligado à disputa eleitoral avançou no Rio de Janeiro e já chegou à polícia e à Justiça. Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25/10), grupos bolsonaristas começaram a divulgar listas de estabelecimentos e profissionais apontados como petistas.

As mensagens circulam em diferentes municípios do estado. Além disso, relatos de discriminação passaram a aparecer em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, com menções a trabalhadores, comerciantes e prestadores de serviço.

Em alguns casos, as publicações sugerem que consumidores deixem de comprar ou contratar esses profissionais. No entanto, nem todas as pessoas citadas tiveram confirmação direta dos relatos atribuídos a elas.

Relatos de discriminação

Na cidade do Rio de Janeiro, mensagens compartilhadas em um grupo de WhatsApp mencionam episódios de discriminação. Em um deles, uma faxineira teria perdido clientes depois de declarar voto em Lula. Em outro, uma trabalhadora nordestina teria pedido demissão após sofrer xenofobia no dia seguinte à eleição.

Essas informações foram relatadas no grupo, mas não puderam ser confirmadas diretamente com as envolvidas. Por esse motivo, informações que possam identificá-las foram preservadas.

Também houve publicações de profissionais que decidiram reagir. João Paulo Saules, professor de Educação Física, publicou vídeo nas redes sociais para criticar a exposição de nomes e a tentativa de transformar preferências eleitorais em critério de contratação.

Outra profissional que se pronunciou foi a personal trainer Letícia Botelho, de Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana do Rio. Ela descobriu que seu nome apareceu em um grupo de mensagens com mais de 300 participantes, acompanhado de uma acusação sobre sua conduta profissional.

Casos em cidades do estado

Letícia disse que soube da situação por alunos e por pessoas do próprio ambiente de trabalho. Depois disso, começou a reunir informações sobre a divulgação. Segundo ela, a mensagem a identificava como petista e afirmava que criticava pessoas de direita durante as aulas.

Ela nega a acusação e afirma que separa política do atendimento aos alunos.