Steve Bannon diz que Trump deve isolar governo Lula
Ex-estrategista da Casa Branca também reafirmou a vitória de Flávio Bolsonaro, sem apresentar provas.

Steve Bannon afirmou nesta segunda-feira (26), em Washington, que Donald Trump deve pressionar o governo Lula. Segundo o ex-estrategista da Casa Branca, a ideia seria isolar o petista até uma eventual anulação do resultado das eleições presidenciais de domingo (25).
As declarações de Bannon tratam também da disputa eleitoral no Brasil. O ex-assessor voltou a dizer, sem apresentar provas, que Flávio Bolsonaro venceu a eleição e assumirá a Presidência.
Pressão sobre o governo Lula
“Acredito que o presidente Trump vai agir para isolar o regime marxista de Lula até que ele concorde em anular essa eleição roubada”, disse Bannon. Ele integra o núcleo ideológico do movimento Maga, sigla para “faça a América grandiosa novamente”.
Mais cedo, o ex-estrategista defendeu publicamente que Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, rompessem relações diplomáticas e comerciais com o Brasil. “Hoje o Brasil não tem um governo legítimo porque Lula roubou a eleição”, afirmou.
As falas contrastam com a posição assumida pelo próprio Trump nesta segunda-feira. O presidente dos Estados Unidos disse que não apoiou nenhum dos candidatos e declarou que gosta de Lula.
“Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, afirmou Trump. Questionado sobre medidas em relação ao processo eleitoral, respondeu: “Eu governo os Estados Unidos, não o Brasil.”
Trump também criticou a ampliação do horário de votação. Ainda assim, ele não anunciou sanções nem medidas para reverter o resultado das urnas.
Disputa no Brasil e reação do PL
Bannon também afirmou que Flávio Bolsonaro foi o verdadeiro vencedor da disputa. “Flávio venceu a Presidência ontem, ele vai assumir a Presidência -e concorrer à reeleição em 2030- enquanto Lula apodrece na prisão”, disse.
No Brasil, porém, a direção do PL reconheceu a vitória de Lula nesta segunda-feira. Além disso, o senador recuou da intenção de pedir a anulação da votação.
Na noite de domingo, Flávio havia anunciado que não reconheceria o resultado. Ele também questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de ampliar o horário de votação.
Depois, o senador afirmou que vai organizar a oposição no Congresso. A campanha dele, no entanto, decidiu concentrar a contestação em uma ação para tentar cassar a chapa de Lula.
O resultado oficial proclamado pelo TSE deu a Lula 51,79% dos votos válidos. Flávio obteve 48,21%, uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos.
Bannon, que foi um dos principais estrategistas da campanha de Trump em 2016, mantém proximidade com a família Bolsonaro. Ele também reforçou sua leitura sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de determinar a entrega dos passaportes de Flávio e proibi-lo de deixar o Brasil.
“O chefe da Suprema Corte (sic) acabou de revogar o passaporte dele. É assim que eu interpreto isso”, disse. A decisão de Moraes ocorreu em investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O senador afirmou que cumprirá a ordem judicial, mas classificou a medida como intimidação. Enquanto isso, o governo americano ainda não deixou claro se reconhece formalmente a reeleição de Lula.
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