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Incidentes cibernéticos no setor financeiro batem recorde, diz BC

Fraudes subiram 74% e o Banco Central aponta avanço de ataques mais sofisticados no sistema financeiro.

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Incidentes cibernéticos no setor financeiro batem recorde, diz BC
Foto: Reprodução

Os incidentes cibernéticos no setor financeiro bateram recorde entre janeiro e setembro de 2026, segundo o Banco Central. As instituições comunicaram 99 ocorrências ao BC no período, em todo o país.

O número supera em 30% os 76 registros de todo o ano passado. Em 2024, o BC havia contabilizado 59 casos. Os dados constam do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta terça-feira (27).

As fraudes responderam por 68 ocorrências, o equivalente a 69% das notificações deste ano. Na comparação com os 39 casos registrados em 2025, a alta chegou a 74%. A palavra-chave incidentes cibernéticos aparece com destaque no levantamento, que reúne episódios informados ao BC.

Fraudes cresceram no sistema financeiro

O Banco Central afirma que parte da alta tem relação com a melhora na identificação dos ataques. Além disso, o reforço do monitoramento e da comunicação de incidentes ajudou a revelar episódios que antes poderiam passar despercebidos.

A expansão dos serviços digitais também contribuiu para o aumento dos registros. Segundo o BC, a maior conexão entre as empresas do setor ampliou a superfície de risco e exigiu mais atenção das instituições.

O relatório diz que os responsáveis pelos ataques mostraram conhecimento sobre a operação do Sistema Financeiro Nacional. “Os incidentes recentes evidenciaram elevado grau de conhecimento dos grupos criminosos sobre a operação do SFN”, afirma o documento.

De acordo com o BC, os grupos conheciam o funcionamento das mensagens do Sistema de Pagamentos Brasileiro e das contas usadas pelos bancos para liquidar operações entre si. Em vários casos, eles combinaram invasões, uso de senhas válidas e automação de transações fraudulentas.

Como os ataques ocorreram

Um dos principais casos envolveu a invasão de um fornecedor de tecnologia. Os criminosos obtiveram as chaves de um certificado digital de uma instituição cliente, ainda ativo, embora devesse ter sido desativado após uma mudança na conexão.

Com isso, eles enviaram mensagens fraudulentas com aparência legítima. Ao identificar riscos semelhantes em outras instituições, o BC adotou medidas preventivas, como restrições temporárias de operações e substituição de certificados.

O relatório não informa quais empresas foram atingidas. Ainda assim, o BC relata que outros ataques começaram com a obtenção de senhas de funcionários, desenvolvedores e prestadores de serviço.

Entre os métodos usados, estava o phishing, golpe que usa mensagens falsas para induzir a vítima a fornecer informações. Com credenciais de acesso amplo, os criminosos realizaram transferências que pareciam regulares.

Além disso, o BC aponta exploração de falhas em APIs, interfaces que permitem a comunicação entre sistemas de empresas diferentes. Por esse caminho, os grupos emitiram ordens de transferência sem passar pelas aprovações habituais.

Problemas de programação também permitiram estornos e recargas indevidos, com a criação de créditos artificiais. Dessa forma, os ataques avançaram por diferentes brechas técnicas e operacionais.

Levantamento mostra falhas de prevenção

Uma pesquisa do Banco Central no primeiro semestre ouviu 1.365 instituições. O levantamento identificou limitações nas práticas de segurança e mostrou pontos frágeis na prevenção.

Apenas 42% disseram avaliar periodicamente o risco cibernético de cada fornecedor. Já a autenticação em mais de uma etapa protege as contas com acesso mais amplo em 65% das instituições consultadas.

O uso de inteligência artificial para identificar fraudes apareceu em 30% das respostas. As informações foram declaradas pelas próprias participantes da pesquisa.

A preocupação com o tema também cresceu na sondagem trimestral do BC com o mercado. Em agosto, 12% dos entrevistados apontaram o risco operacional, que inclui ataques cibernéticos, como a principal ameaça à estabilidade financeira.

Em fevereiro, esse índice era de 8%. O Banco Central afirmou que os ataques ficaram mais frequentes e sofisticados, em parte por causa dos avanços da inteligência artificial.

Apesar das perdas relevantes em casos específicos, o BC disse que os incidentes não comprometeram o funcionamento do sistema financeiro. A autoridade monetária informou ainda que seguirá acompanhando os episódios e adotando respostas quando necessário.

O BC também prevê iniciativas para ampliar a capacidade das instituições de resistir aos ataques e se recuperar dos efeitos. Assim, a autoridade quer reforçar a prevenção e a resposta no setor financeiro.