Milei não parabeniza Lula e Argentina evita comunicado oficial
Governo argentino diz que não vai divulgar nota sobre a vitória de Lula e cita falta de gesto semelhante em 2023.

O governo de Javier Milei não pretende divulgar uma manifestação oficial sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi dada nesta quarta-feira, segundo o jornal argentino Clarín, e reforça o desgaste entre os dois presidentes. A palavra-chave Milei e Lula volta ao centro da política sul-americana, enquanto Buenos Aires evita um comunicado formal.
Em entrevista coletiva, o porta-voz presidencial Adrián Ravier afirmou que a administração apenas tomou conhecimento do resultado. No entanto, disse que não fará nota, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores. Segundo ele, a decisão leva em conta a ausência de um gesto semelhante de Lula em 2023.
Governo argentino cita falta de gesto
Ravier justificou a posição ao afirmar que Lula não cumprimentou Milei quando o argentino venceu a eleição. “Não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente, nem nada do tipo. Por enquanto, não há nenhum comunicado que pretendamos divulgar”, declarou.
Na ocasião, Lula publicou uma mensagem no X desejando êxito ao novo governo. Porém, não citou Milei nominalmente. “A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu o presidente brasileiro em 19 de novembro de 2023.
Reações na América do Sul
Milei foi apontado como o único líder sul-americano a não parabenizar Lula pela reeleição. Ainda assim, outros presidentes reconheceram o resultado e defenderam a cooperação regional. As manifestações vieram de diferentes orientações políticas e destacaram a importância da relação entre os países.
Entre elas, o chileno José Antonio Kast disse ter telefonado para cumprimentar Lula. Além disso, afirmou que os dois países têm um futuro em comum. A peruana Keiko Fujimori defendeu o fortalecimento da aliança estratégica bilateral, com foco em integração e desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada.
Também felicitaram Lula os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi; da Venezuela, Delcy Rodríguez; do Paraguai, Santiago Peña; da Guiana, Irfaan Ali; e do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons. O colombiano Abelardo de La Espriella e o equatoriano Daniel Noboa também reconheceram a vitória.
Peso econômico da relação
A relação entre Brasil e Argentina tem peso econômico e estratégico. Segundo dados do governo argentino citados no conteúdo, em 2025 o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas. Além disso, também apareceu como a maior origem das importações do país.
Os dois países mantêm forte integração industrial e ocupam posição central no Mercosul. Esse cenário ajuda a explicar por que os gestos diplomáticos entre Lula e Milei recebem atenção, sobretudo em momentos de tensão política.
Histórico de atritos
A ausência de cumprimento ocorre após meses de tensão entre os presidentes. Milei apoiou publicamente o senador Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral e criticou Lula nas redes sociais. Em agosto, na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência, o argentino atacou Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”. Além disso, acusou o governo brasileiro de interferir na eleição argentina de 2023. O governo brasileiro classificou o episódio como “sem precedentes”.
O chanceler Mauro Vieira considerou o caso grave. Porém, descartou naquele momento medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.



