Justiça italiana adia extradição de Carla Zambelli para novembro
Corte marcou nova audiência para 24 de novembro e analisará pedido ligado à pena de cinco anos e três meses no Brasil.

A extradição de Carla Zambelli voltou a ser adiada pela Justiça italiana nesta terça-feira (27). A Corte marcou nova audiência para 24 de novembro e vai analisar se a ex-deputada pode ser enviada ao Brasil.
O tribunal avaliará o pedido ligado à pena de cinco anos e três meses de prisão. Os juízes, porém, não vão reexaminar a condenação brasileira.
Defesa aponta falta de documentos
O novo adiamento ocorreu após pedido dos advogados de Zambelli. A defesa informou que não teve acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre o recebimento dela no sistema prisional.
Entre os pontos citados, estão dados sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia. Os advogados também disseram que sem esses documentos não poderiam exercer plenamente o direito de defesa.
Além disso, a defesa afirmou que precisava de informações sobre a garantia de atendimento médico. Em setembro, segundo relato publicado pelo Metrópoles, os advogados sustentaram que o retorno ao Brasil “seria o mesmo que sentenciar sua morte”.
Histórico do processo na Itália
A análise já estava prevista para 27 de setembro, mas a Corte adiou a sessão por causa de uma greve de advogados penais na Itália. Em julho, a Corte de Cassação italiana anulou uma ordem de extradição.
Na ocasião, o tribunal apontou falta de garantias sobre o atendimento médico que Zambelli receberia na Colmeia. Ela responde em liberdade na Itália desde maio.
A decisão de novembro tratará apenas do pedido relacionado à pena de cinco anos e três meses. O outro pedido brasileiro, ligado ao caso do Conselho Nacional de Justiça, já teve resultado desfavorável ao Brasil.
Condenações no Brasil
Zambelli foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso envolve a perseguição a um homem com uma arma, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo.
Ela também recebeu pena de dez anos e oito meses pela invasão hacker ao sistema do CNJ. Nesse processo, a Justiça italiana negou o pedido de extradição do Brasil.
Segundo a decisão italiana, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes não poderia julgar o caso, por ser “juiz e vítima”. Depois da condenação, Zambelli deixou o Brasil e teve o nome incluído na lista vermelha da Interpol.
Trajetória política
Zambelli foi eleita deputada federal em 2018 pelo PSL e reeleita em 2022 pelo PL. Na eleição de 2022, ela recebeu 946.244 votos em São Paulo.
Antes da carreira política, ela fundou o Movimento Nas Ruas. O grupo participou de mobilizações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Ela também é formada em Planejamento Estratégico Empresarial. Em 2018, publicou o livro Não foi Golpe – Os bastidores da luta nas ruas pelo Impeachment de Dilma.



