Secretaria do Trabalho do Rio alerta empresários sobre assédio político
Manoel Vieira pediu que empregadores não sigam orientação sobre rede social de funcionários e citou apuração do MPT.

A Secretaria Municipal de Trabalho e Renda do Rio alertou, nesta segunda-feira (26), sobre assédio político no ambiente de trabalho. A pasta informou que acompanha denúncias de perseguição política contra trabalhadores após falas da deputada estadual Índia Armelau (PL).
Em vídeo divulgado pela secretaria, o secretário Manoel Vieira aparece ao lado do superintendente regional do Trabalho, Cláudio Secchin. Ele pediu que empresários não sigam orientações sobre manifestações políticas de funcionários.
Apelo aos empresários
Vieira afirmou que a deputada estimulou perseguições políticas dentro das empresas. Segundo ele, esse tipo de conduta configura assédio e crime. Além disso, o secretário disse que a pasta acompanha denúncias de possíveis pressões sobre trabalhadores.
“Gostaríamos de fazer um apelo aos empresários: não dêem ouvido a esse tipo de proposta”, disse Vieira. Ele também alertou para consequências administrativas e judiciais. “Estamos atentos e acompanhando eventuais empresários que se submetam a essa proposta infeliz”, completou.
O Ministério Público do Trabalho do Rio abriu uma investigação sobre eventual incentivo à dispensa discriminatória. A apuração envolve a atuação da deputada e a possibilidade de práticas irregulares no ambiente empresarial.
A origem da polêmica
A discussão começou com uma postagem intitulada “Não contrate quem odeia empresário”. A publicação apareceu após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. No texto, a deputada orientou empresários a verificarem redes sociais de funcionários e citou afinidade ideológica na contratação.
Em uma das mensagens, Armelau escreveu: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’”. Em outra, ela afirmou que não faz sentido manter na empresa quem odeia empresários. Depois, a deputada negou ter defendido demissões em massa e disse que tratava de liberdade de expressão.
Armelau também afirmou que suas postagens faziam apoio à campanha “Não Contrate Quem Odeia Empresário”. Ela disse ainda que, como empresária, não quer contratar pessoas contrárias aos empresários.
Fiscalização sobre supermercados
No mesmo vídeo, Cláudio Secchin disse que o Ministério do Trabalho precisa apurar denúncias de assédio eleitoral. Ele citou uma fiscalização em andamento contra uma rede de supermercados.
Segundo Secchin, a pasta tem obrigação de averiguar informações quando há suspeita de prática irregular. “Já temos uma fiscalização em curso”, afirmou, ao mencionar uma rede que estaria cometendo atos dessa natureza.
A fala remete ao caso do Supermercado Zona Sul. Na última sexta-feira (23), a Justiça do Trabalho determinou medidas após ação coletiva do Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro.
A ação questionou uma mensagem corporativa enviada às vésperas do segundo turno. No e-mail, a empresa escreveu que “chegou a hora de mudar”. A juíza entendeu que o conteúdo indicava posicionamento político em momento próximo ao pleito.
A Justiça determinou que a rede envie aos empregados uma mensagem afirmando que o voto é livre e secreto. Além disso, proibiu novos comunicados políticos aos funcionários, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. O MPT também apura o caso.



