ClickRio
Últimas
Mundo

Gases de efeito estufa batem recorde, diz relatório da ONU

Boletim da OMM aponta alta inédita de CO₂, metano e óxido nitroso, além de riscos para a transição energética.

· 3 min de leitura
Gases de efeito estufa batem recorde, diz relatório da ONU
Foto: Reprodução

Os gases de efeito estufa atingiram níveis sem precedentes na atmosfera em 2025, segundo relatório anual da Organização Mundial de Meteorologia, divulgado nesta terça-feira (27). O documento aponta avanço do aquecimento global e alerta para riscos climáticos nas próximas décadas.

Essas substâncias aprisionam o calor na Terra. Além disso, elas superam a capacidade dos sistemas naturais de compensar esse desequilíbrio. A OMM afirma que o cenário empurra o planeta para uma trajetória de aquecimento acima de 1,5°C.

CO₂ em alta histórica

Em 2025, a concentração média de dióxido de carbono na superfície terrestre chegou a 426,8 partes por milhão. O nível equivale a 153% da base pré-industrial, de 1750.

Segundo a vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados. Ela afirmou ainda que o CO₂ permanece na atmosfera por décadas e até séculos.

O boletim da OMM mostra que o ritmo de concentração de CO₂ triplicou desde os anos 1960. Dessa forma, o incremento anual saltou de 0,8 ppm para 2,4 ppm na década passada. De 2024 a 2025, a taxa chegou a 2,8 ppm.

Entenda mais sobre clima e aquecimento global, porque o relatório relaciona o avanço ao aumento das emissões e às mudanças nos sumidouros de carbono.

Mudanças no ritmo de emissões

Oksana Tarasova, responsável pela rede global de monitoramento do gás na OMM, disse que a taxa menor refletiu a recuperação dos sumidouros terrestres. Ela também citou a redução das emissões ligadas a incêndios após o último El Niño.

No entanto, a cientista prevê novo aumento nas concentrações neste ano. A projeção considera a queima de combustíveis fósseis e um novo El Niño forte. Além disso, a OMM alerta para a redução da absorção de CO₂ pelos oceanos.

Cerca de metade do dióxido de carbono liberado na atmosfera é absorvida pelos sistemas naturais da Terra. Porém, a mudança climática acelera a degradação de ecossistemas e reduz a eficiência desse processo.

No ritmo atual de emissões, o planeta deve chegar a 2100 com 2,8°C de aquecimento. A ONU reconheceu na semana passada a inevitabilidade do “overshoot”. Ainda assim, a organização afirmou que uma transição energética acelerada pode devolver o planeta ao limite de 1,5°C no fim do século.

Metano e outros gases

O relatório também destaca o metano. Esse gás responde por um terço do aumento global de temperatura e por 16% do forçamento radiativo. Em 2024, a concentração de CH₄ na atmosfera era de 1.948 partes por bilhão, equivalente a 267% do período pré-industrial.

Cerca de 60% das emissões atuais de metano vêm da atividade humana. Desse total, 40% sai da agropecuária, 35% da produção, transporte e consumo de combustíveis fósseis, e 20% do manejo de resíduos orgânicos. Portanto, a OMM afirma que há espaço para cortar emissões em todas essas áreas.

Já o óxido nitroso alcançou 339,1 ppb em 2025. O gás responde por 6% do forçamento radiativo e chegou a 126% do nível pré-industrial.

O boletim cita ainda dois gases ligados à transição energética. O hexafluoreto de enxofre, cerca de 23 mil vezes mais potente que o CO₂, teve aumento recorde em 2025. Além disso, o hidrogênio subiu 5,3% entre 2010 e 2024 e também preocupa os cientistas por seu efeito indireto sobre o aquecimento global.

Segundo a OMM, o monitoramento da atmosfera é essencial para detectar e prevenir consequências indesejadas dessas mudanças.