Flávio Bolsonaro repercute na imprensa internacional após sair do Brasil
Veículos nos EUA, na Europa e na Argentina destacaram a viagem do senador, o descumprimento de ordem do STF e a rota desconhecida.

A Flávio Bolsonaro repercutiu na imprensa internacional nesta terça-feira (27), após a saída do senador do Brasil. Veículos dos Estados Unidos, da Europa e da Argentina destacaram a viagem, a ordem do STF e a dúvida sobre a rota utilizada.
A cobertura ganhou força depois que a Reuters informou que o parlamentar teria seguido para os Estados Unidos. Já o New York Times citou autoridades norte-americanas ao tratar do caso.
O episódio ocorreu dois dias após a derrota de Flávio na eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Na segunda-feira, o senador havia negado que deixaria o país e disse que permaneceria no Brasil para organizar a oposição.
Repercussão nos Estados Unidos
A Reuters acompanhou as primeiras informações sobre o desaparecimento do senador dos locais onde costumava circular. Além disso, a agência levantou a ausência de registros oficiais de saída do Brasil. Depois, com base em fontes próximas ao parlamentar e no governo norte-americano, afirmou que ele viajou aos EUA.
O veículo também informou que o governo Trump concederia vistos ao senador, à esposa e às duas filhas. Já o New York Times destacou que a viagem ocorreu um dia depois da intimação para entrega dos passaportes.
Segundo o jornal, a medida teve relação com uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. A cobertura norte-americana também associou o caso a possíveis efeitos nas relações entre Brasília e Washington.
Europa e América do Sul
Na Europa, o britânico The Guardian mencionou a suspeita de que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina a pé. Por outro lado, a publicação ressaltou que ele não era visto desde segunda-feira e havia perdido o prazo para entregar os documentos.
Na França, o Libération citou as dúvidas sobre o deslocamento e lembrou que o senador tem cidadania italiana. O Le Figaro, por sua vez, apontou risco de tensão diplomática entre os governos Lula e Donald Trump.
O espanhol El País também tratou da saída do senador e relacionou o caso à derrota eleitoral e à decisão judicial que restringia sua viagem ao exterior. Na Argentina, jornais e canais deram espaço às suspeitas de passagem por Puerto Iguazú, cidade próxima à fronteira com o Brasil.
Todo Noticias, La Nación e Infobae acompanharam a possível travessia terrestre e o embarque em uma aeronave particular. Entretanto, autoridades argentinas disseram que não localizaram registros migratórios da entrada do senador.
Uma aeronave suspeita chegou a ser inspecionada. Ainda assim, não houve identificação de documentos de voo ligados a Flávio ou a familiares.
Ordem do STF e investigação
A imprensa estrangeira também destacou a determinação do ministro Alexandre de Moraes para que Flávio entregasse os passaportes. A ordem fazia parte de investigação ligada a suspeitas de lavagem de dinheiro e negócios relacionados ao advogado Willer Tomaz.
O prazo terminou sem a apresentação dos documentos, e a Polícia Federal cancelou os passaportes. Flávio nega irregularidades e afirma que sofre perseguição política.
Outro ponto lembrado pelos veículos foi a recomendação de Eduardo Bolsonaro para que o irmão deixasse o Brasil, caso perdesse a eleição. A Reuters ainda comparou o episódio à viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota em 2022.
A Polícia Federal também informou que não havia registro de saída do senador por posto regular de controle migratório. Assim, embora fontes tenham confirmado a viagem aos Estados Unidos, o trajeto exato seguia sem esclarecimento oficial.



