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Flávio Bolsonaro e a lista de políticos que deixaram o Brasil

Caso do senador amplia série de fugas e idas ao exterior em meio a investigações, processos e condenações judiciais.

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Flávio Bolsonaro e a lista de políticos que deixaram o Brasil
Foto: Reprodução

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, após a derrota na eleição presidencial, ampliou a lista de políticos em situação parecida. O caso, nesta terça-feira (27), ganhou destaque porque o senador ainda não teve a viagem confirmada oficialmente. Flávio Bolsonaro aparece agora ao lado de outros nomes que deixaram o país sob pressão da Justiça.

Segundo a Agência Reuters e o New York Times, o senador estaria a caminho dos Estados Unidos. No entanto, a Polícia Federal não encontrou registro de saída pelos controles migratórios brasileiros. Além disso, autoridades argentinas informaram não haver entrada dele no país.

O parlamentar também não cumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar os passaportes em 24 horas. A PF cancelou os documentos. A suspeita ganhou força depois de publicação do Infobae, que citou uma possível travessia da fronteira rumo a Puerto Iguazú.

Investigação e negativas

As autoridades brasileiras passaram a apurar a informação. Flávio é alvo de investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e negócios ligados a plataformas de apostas. Ele nega irregularidades e afirma que sofre perseguição política.

O caso também reacendeu comparações com outros nomes ligados ao grupo político de Jair Bolsonaro. Entre eles, estão o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo, ambos nos Estados Unidos.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, os dois teriam articulado sanções contra autoridades brasileiras para pressionar o Judiciário. Eduardo Bolsonaro acabou condenado a quatro anos de prisão e passou a ser alvo de mandado de prisão no Brasil. Paulo Figueiredo também foi denunciado por coação no curso do processo.

Outros casos ligados ao grupo

Além disso, o ex-deputado Alexandre Ramagem deixou o Brasil clandestinamente em 2025, segundo a Polícia Federal. Ele foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão pela participação na trama golpista. O governo brasileiro, portanto, pediu sua extradição para que ele cumpra a pena no país.

A ex-deputada Carla Zambelli também deixou o Brasil depois de condenação a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Presa em Roma em julho de 2025, ela foi libertada em maio de 2026, após decisão da Justiça italiana contrária à extradição. Depois disso, a Corte de Cassação determinou novo julgamento do pedido.

Há ainda o caso do blogueiro Allan dos Santos, radicado nos Estados Unidos e considerado foragido desde 2021. Ele teve a prisão preventiva decretada em investigações sobre disseminação de notícias falsas e atuação de grupos digitais investigados pelo Supremo.

Antecedentes em outro período

Esse tipo de fuga política, no entanto, também aparece em um caso anterior ao bolsonarismo. Em 2013, Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil e ligado ao PT, deixou o Brasil após condenação no julgamento do mensalão.

Ele usou um passaporte em nome de um irmão falecido para chegar à Europa. Depois, foi localizado e preso em 2014. A extradição ocorreu em outubro de 2015, após disputa judicial prolongada. Pizzolato recebeu pena de 12 anos e sete meses por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Assim, a possível saída de Flávio Bolsonaro recoloca em pauta um histórico de políticos e aliados que buscaram o exterior durante a ofensiva da Justiça. O desfecho do caso ainda depende da confirmação oficial da viagem e das próximas apurações.