Boca de urna aponta disputa apertada em Israel
Levantamentos indicam maior bancada para Netanyahu, mas oposição pode formar bloco com mais cadeiras.

Eleição em Israel teve comparecimento recorde nesta terça-feira (27) e manteve a disputa em aberto, segundo pesquisas de boca de urna. Os levantamentos indicam vantagem para o partido do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, mas a oposição pode reunir mais cadeiras no Parlamento.
O Canal 12 apontou 24 cadeiras para o Likud e 22 para o Yashar, liderado por Gadi Eisenkot. Já o Canal 11 estimou 25 cadeiras para o partido governista e 21 para a principal legenda oposicionista.
Apesar disso, os números também mostram um cenário de equilíbrio entre os blocos. No levantamento do Canal 12, a possível aliança de Eisenkot chegaria a 52 cadeiras, enquanto o grupo de Netanyahu teria 50. As listas árabes, por sua vez, somariam 18 cadeiras.
Participação recorde nas urnas
A Comissão Eleitoral Central informou que a participação alcançou 74,3% até as 20h no horário local. O índice, portanto, já superava o registrado em fases finais anteriores da votação desde 1988.
As filas se estenderam do lado de fora das seções eleitorais durante a terça-feira. A votação ocorreu na primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Além disso, o pleito aconteceu após guerras na Faixa de Gaza, no Líbano e no Irã. O voto não é obrigatório no país, e a campanha ocorreu em meio a um eleitorado dividido.
Cenário político segue indefinido
Se o resultado final repetir o quadro das pesquisas, o parlamentar indicado pelo presidente Isaac Herzog poderá levar semanas para formar uma coalizão. Ainda assim, existe a possibilidade de novas eleições caso ninguém consiga apoio suficiente para governar.
Netanyahu pediu votos em massa nesta terça-feira. Ele afirmou: “Todos vocês precisam ir em massa às urnas”. Depois, acrescentou: “Este é um momento decisivo”.
O atual primeiro-ministro fez campanha com apoio de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Trump declarou que eles deveriam “concluir o trabalho”.
O principal rival de Netanyahu, Gadi Eisenkot, visitou o kibutz Nir Oz, no sul de Israel. Ele disse: “Estou convencido de que, até o final do dia de hoje, veremos uma mudança”.
Eisenkot esteve no local acompanhado de Gadi Mozes, uma das 251 pessoas sequestradas pelo Hamas e levadas para Gaza. O ataque matou 1.200 pessoas, segundo o texto.
Mais cedo, Itamar Ben-Gvir, líder de um partido de extrema direita da coalizão de Netanyahu, votou no assentamento de Kiryat Arba, na Cisjordânia ocupada. Ele afirmou que Netanyahu voltará ao cargo e que seu partido servirá como âncora de direita do governo.
Ahmed Tibi, candidato de um partido árabe, disse que uma participação recorde da minoria árabe “abriria caminho para um governo alternativo”. Já Netanyahu acusou árabes de tentar “roubar a eleição”, após relatos sobre envelopes de dinheiro.
O diretor-geral interino da Comissão Central Eleitoral, Dean Livne, classificou o caso como “incomum”. Segundo ele, a polícia deteve pessoas suspeitas de tentar subornar eleitores antes da chegada aos locais de votação.
A contagem oficial deve começar nas próximas horas. No entanto, o resultado final pode levar dias para ser concluído e, portanto, manter a definição do governo em aberto.



