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Líderes evangélicos reagem à vitória de Lula com tom de resignação

Pastores e bispos que apoiaram Flávio Bolsonaro reconhecem o resultado e evitam aderir à contestação do pleito.

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Líderes evangélicos reagem à vitória de Lula com tom de resignação
Foto: Reprodução

Os líderes evangélicos que apoiaram Flávio Bolsonaro reagiram nesta eleição com lamento e resignação. A vitória de Lula (PT) frustrou esse grupo, que apostava no candidato do PL em São Paulo, SP.

Entre os primeiros relatos, o pastor Lucinho, da Igreja Batista da Lagoinha, publicou no Instagram a agenda que planejou para domingo. No roteiro, ele incluía voto, ida à igreja e comemoração da “vitória do 22”.

O resultado das urnas, porém, encerrou esse plano. Ainda assim, as manifestações públicas ficaram, em geral, no campo da aceitação do resultado, sem adesão explícita às tentativas de contestação levantadas por aliados bolsonaristas.

Reações entre pastores e bispos

O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, escreveu “vida que segue” ao publicar uma imagem com referência à mão de Deus sobre o mapa do Brasil. Na mesma mensagem, afirmou que “a nação continua nas SUAS mãos” e que o Brasil ainda verá “um avivamento”.

Silas Malafaia também se manifestou após o resultado. Em vídeo, disse lamentar “profundamente” o triunfo petista, “mas essa é a decisão do povo brasileiro”. Ele ainda pediu que Deus tenha misericórdia do Brasil e livre o país do caos econômico e social.

Robson Rodovalho afirmou que a derrota provoca tristeza, mas defendeu o respeito à democracia. Segundo ele, “vence quem consegue comunicar e convencer a maioria”. Ele também pregou confiança nas instituições democráticas e disse seguir em frente com fé em Deus.

Já Estevam Hernandes adotou um discurso semelhante. O apóstolo da Renascer em Cristo disse que essa foi a vontade popular e que os cristãos devem aceitar democraticamente o resultado, pois se submetem à vontade soberana de Deus.

Fé, política e urna

Abner Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, também falou em maturidade e equilíbrio. De acordo com ele, a democracia exige respeito às decisões populares, independentemente de convicções pessoais. O grupo dele havia se aproximado do governo Lula antes e, depois, respaldou Flávio na reta final do pleito.

César Augusto, da igreja Fonte da Vida, pediu que o país “vire a chave” após a disputa eleitoral. Ele disse que ora pelo Brasil e por esse governo, além de afirmar que a direita saiu fortalecida. Ainda assim, também elogiou Lula, ao dizer que o presidente reeleito talvez seja o maior político da história do país.

Josué Valandro Jr., da Igreja Batista Atitude, afirmou que a direita cristã fez tudo o que podia. Para ele, resta agora esperar em Deus e seguir com dignidade, apesar do “coração apertado”. A igreja era frequentada por Michelle Bolsonaro quando ela morava no Rio.

Entre presbiterianos, Augustus Nicodemus Lopes adotou tom mais duro ao falar sobre a disputa. Ele lembrou que a igreja já sobreviveu a períodos históricos difíceis e disse que a esperança cristã não está nas urnas, no Congresso ou no Planalto, mas em Cristo.

Universal evita apoio explícito

Por volta da meia-noite, a Igreja Universal do Reino de Deus enviou uma mensagem a fiéis com a pergunta: “Seu candidato ganhou ou perdeu. E agora?”. O texto afirmou que a eleição passa, mas que familiares e colegas continuam os mesmos, mesmo com votos diferentes.

A Universal ficou como exceção entre as grandes igrejas evangélicas. Ela não declarou apoio nem a Lula nem a Flávio, postura vista como cautelosa. O banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, é alvo de investigações.

Renato Cardoso, genro de Macedo, publicou nas redes um versículo de Mateus sobre o reino, o poder e a glória de Deus. Em 2022, ele já havia escrito que não é possível ser cristão e de esquerda.

O cenário após a eleição mostrou, portanto, um campo evangélico dividido entre frustração e prudência. Apesar do apoio amplo ao bolsonarismo, as lideranças citadas evitaram, em sua maioria, romper com o resultado das urnas.