Stiglitz diz que plano de Flávio Bolsonaro pode reduzir o PIB
Economista vê risco de corte em investimentos públicos, alta da pobreza e aumento da desigualdade no Brasil.

O Nobel de Economia Joseph Stiglitz alertou que o plano de Flávio Bolsonaro pode reduzir o PIB e ampliar a pobreza no Brasil. Em entrevista, ele disse que cortes de gastos, redução de impostos e privatizações podem ter efeito contrário ao esperado pelos investidores.
Stiglitz avaliou que a reação positiva do mercado após o primeiro turno não leva em conta os efeitos de uma queda nos investimentos públicos. Segundo ele, essa aposta pode favorecer ganhos imediatos, mas também enfraquecer a economia no médio e no longo prazo.
Risco para o crescimento
O economista afirmou que uma política de austeridade, se aplicada como sinalizado na campanha, pode comprometer serviços públicos e programas sociais. Além disso, ele disse que a combinação de menos impostos e menos despesas tende a pressionar a atividade econômica.
Em sua avaliação, esse cenário afetaria sobretudo trabalhadores e a classe média.
“Se você cortar impostos e despesas simultaneamente, isso reduzirá o PIB”
, afirmou Stiglitz.
Ele também questionou como o candidato faria um ajuste fiscal expressivo sem atingir áreas consideradas essenciais. Conforme disse, a promessa de não cortar aposentadorias poderia concentrar os cortes em outras partes do orçamento federal.
Educação, desigualdade e pobreza
Stiglitz argumentou que programas discricionários voltados aos pobres e à classe média poderiam sofrer cortes severos.
“Os programas discricionários voltados aos pobres e à classe média, como a educação e outros programas, serão devastados”
, declarou.
Para ele, a redução do papel do Estado pode deteriorar o padrão de vida das classes média e baixa. Além disso, o economista disse que isso reduziria a capacidade de investimento público e ampliaria a desigualdade e a pobreza.
O Nobel lembrou que investimentos em educação, infraestrutura e tecnologia dependem de planejamento contínuo. Dessa forma, segundo ele, cortar essas áreas afastaria o Brasil de economias mais desenvolvidas.
Mercado, juros e política externa
Stiglitz também criticou o entusiasmo do mercado com o desempenho de Flávio Bolsonaro. Na visão dele, investidores observam apenas benefícios imediatos e ignoram os riscos de uma desaceleração econômica.
Ele ainda elogiou os resultados econômicos do governo Lula, especialmente sob a perspectiva dos mercados. Além disso, afirmou que os juros elevados pesam sobre as contas públicas e podem limitar o crescimento produtivo.
Outro ponto de preocupação citado por Stiglitz envolve a relação com Donald Trump. O economista criticou o uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão política e disse que os Estados Unidos interferem em outros países.
Ele também citou a situação judicial de Jair Bolsonaro e os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Stiglitz acrescentou que o Brasil depende muito mais da China e que apostar em Trump seria, segundo ele, um erro grave.
As críticas do economista à candidatura de Flávio Bolsonaro não começaram agora. Em setembro, ele assinou um manifesto publicado na França ao lado de outros nomes, como Thomas Piketty, Chico Buarque e Raí.
Aos 83 anos, Stiglitz segue como uma das referências internacionais em desigualdade e políticas públicas. Para ele, o desafio brasileiro não se resume ao equilíbrio imediato das contas, mas à preservação do desenvolvimento e da redução das desigualdades.



