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Meta na mira dos EUA por suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro

Parlamentares americanos cobram explicações de Mark Zuckerberg sobre alegado tratamento desigual a Lula e Flávio Bolsonaro nas plataformas da empresa.

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Meta na mira dos EUA por suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução

A suspeita de favorecimento a Flávio Bolsonaro nas plataformas da Meta chegou ao Congresso dos Estados Unidos nesta quinta-feira (22). Parlamentares americanos enviaram uma carta a Mark Zuckerberg e pediram explicações sobre denúncias de tratamento desigual a Lula e Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial no Brasil.

A cobrança ocorre a três dias do segundo turno e amplia a pressão sobre a empresa dona de Facebook, Instagram e WhatsApp. Além disso, o questionamento envolve a distribuição de conteúdos políticos e o uso de ferramentas de inteligência artificial por eleitores.

Os parlamentares disseram estar preocupados com relatos de restrição a conteúdos ligados à campanha de Lula. Ao mesmo tempo, eles citaram publicações relacionadas a Flávio Bolsonaro com maior visibilidade.

Questionamentos sobre as plataformas

Na carta, os congressistas destacam a responsabilidade das empresas de tecnologia em preservar condições equilibradas em disputas eleitorais. Por isso, eles afirmam que as plataformas digitais devem tratar os candidatos de forma igualitária. Isso vale, sobretudo, para os mecanismos que recomendam e ampliam o alcance das publicações.

“Estamos, portanto, profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital”, diz o documento.

A manifestação representa uma cobrança política internacional sobre a atuação da Meta nas eleições brasileiras. No entanto, as suspeitas ainda não comprovam favorecimento deliberado a qualquer candidatura.

Inteligência artificial no WhatsApp

Outro ponto da controvérsia envolve a ferramenta de inteligência artificial do WhatsApp. Nos últimos dias, usuários relataram que o sistema se recusava a produzir imagens sobre a campanha de Lula. Porém, segundo os relatos, ele aceitava pedidos parecidos envolvendo Flávio Bolsonaro.

Essa diferença de comportamento levantou dúvidas sobre os critérios usados pela ferramenta. Além disso, surgiu a possibilidade de aplicação desigual de restrições a conteúdos políticos.

As denúncias ganharam peso na reta final da campanha, quando as redes sociais ajudam na divulgação de mensagens eleitorais. Assim, também aumentam a mobilização de apoiadores.

Ainda não há definição sobre a origem das respostas diferentes da inteligência artificial. Elas podem ter relação com falhas técnicas, regras de moderação ou outros fatores.

TSE também pediu esclarecimentos

A repercussão levou o Tribunal Superior Eleitoral a cobrar explicações da Meta sobre o funcionamento de suas ferramentas. O tribunal também pediu esclarecimentos sobre o tratamento dado às duas campanhas presidenciais.

Na terça-feira (20), a empresa afirmou que cumpriu as determinações da Justiça Eleitoral para garantir tratamento isonômico no segundo turno. Entretanto, a resposta não encerrou os questionamentos.

Dois dias depois, a controvérsia ganhou alcance internacional com a carta enviada pelos parlamentares americanos a Zuckerberg. Até as informações divulgadas nesta quinta-feira (22), a Meta ainda não havia respondido ao documento.

O episódio ocorre às vésperas da votação de domingo (25). Portanto, ele recoloca em debate a influência das grandes empresas de tecnologia no ambiente político.

Também volta à pauta a necessidade de transparência nas regras de moderação e na distribuição de conteúdos. A principal preocupação dos parlamentares é que diferenças nesses sistemas afetem a igualdade entre os candidatos.