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pf encontra sala-cofre em hangar de advogado de Flávio Bolsonaro

Estrutura foi localizada após denúncia anônima no Aeroporto de Brasília, durante operação que apura descontos indevidos no INSS.

fabricio · 3 min de leitura
pf encontra sala-cofre em hangar de advogado de Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução

Sala-cofre da PF foi encontrada em um hangar usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), durante uma operação no Aeroporto Internacional de Brasília em agosto. A descoberta ocorreu após uma denúncia anônima sobre uma parede falsa no local.

Os policiais federais cumpriam mandados de busca e apreensão ligados à Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No espaço, a equipe localizou malas vazias, uma máquina de contar cédulas e uma estrutura gradeada para guarda de valores.

De acordo com o relatório, o acesso começou com a identificação de um painel de madeira que simulava uma parede. Atrás dele, havia uma porta metálica reforçada, descrita como aparentemente blindada. Uma das portas foi aberta com uso de força e, depois, um segundo acesso foi liberado com consentimento.

Na avaliação dos investigadores, o compartimento tinha características próprias de armazenamento seguro de valores. Em registro citado no procedimento, a Polícia Federal afirmou que, após a abertura consentida da segunda porta, foi constatada a existência de um espaço reservado e estruturado para guardar valores.

Embora não houvesse dinheiro no momento da inspeção, a corporação informou que os vestígios encontrados justificam novas análises. A PF também apontou que a estrutura pode ter relação com suspeitas de movimentação de dinheiro em espécie por meio de aeronaves particulares investigadas na operação.

A descoberta, porém, não indica por si só a prática de crime nem o envolvimento de Flávio Bolsonaro com a estrutura. Willer Tomaz é investigado na Operação Sem Desconto, em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro André Mendonça.

O advogado também aparece em outro inquérito no STF, dessa vez ao lado de Flávio Bolsonaro. Nesse caso, a apuração trata de suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.

Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que o hangar atende empresas de transporte de valores que usam serviços de aviação. Segundo a manifestação, a existência de sala-cofre, malotes e máquinas de contagem seria compatível com esse tipo de atividade, e não com irregularidades.

“É fantasiosa e beira o ridículo a insinuação de que essas instalações seriam utilizadas para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita”, afirmou a assessoria.

A defesa também disse que nenhuma quantia foi encontrada no local e criticou a interpretação dada pelos investigadores. No entendimento do advogado, associar os equipamentos a uma atividade criminosa, sem provas, seria uma tentativa de criar suspeitas sobre uma operação regular.

A Polícia Federal informou que os equipamentos e as características do compartimento deverão passar por perícias e outras análises. A investigação sobre a sala-cofre da PF segue em andamento no âmbito da Operação Sem Desconto.