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Flávio Bolsonaro teria recebido Rolex em festa na pandemia

Revista diz que encontro em lancha no Lago Paranoá, em Brasília, terminou com presente de empresário ligado à Precisa Medicamentos.

fabricio · 4 min de leitura
Flávio Bolsonaro teria recebido Rolex em festa na pandemia
Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro Rolex voltou ao centro do noticiário após uma investigação publicada por revista apontar que o senador teria recebido um relógio da marca após participar de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em 17 de julho de 2020. O encontro, segundo a apuração, ocorreu durante a pandemia de Covid-19 e reuniu empresários, um agente de viagens e garotas de programa.

De acordo com a reportagem, a festa foi organizada por empresários ligados à Precisa Medicamentos, empresa que negociava a venda da vacina Covaxin ao governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro. Flávio chegou ao local acompanhado de Alexandre Santini, amigo e então sócio do senador em uma franquia da Kopenhagen, no Rio de Janeiro.

A investigação afirma que, ao fim do passeio, o empresário Danilo Berndt Trento teria retirado um Rolex do próprio pulso e entregue o relógio ao parlamentar. Depois disso, Flávio teria deixado a embarcação usando o presente. O caso é citado no levantamento como parte de uma série de episódios relacionados à atuação de pessoas ligadas à negociação da Covaxin.

Como teria sido a festa em Brasília

Segundo a apuração, a reunião foi organizada por Danilo Trento, diretor institucional da Precisa Medicamentos, e por Francisco Maximiano, proprietário da empresa. A Precisa representava interesses do laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pelo desenvolvimento da Covaxin, e buscava contratos com o Ministério da Saúde.

Na noite anterior ao encontro, os empresários viajaram de São Paulo para Brasília em um jatinho Embraer Phenom 300, de prefixo PR-SAD, pertencente à empresa Prime You. Também estavam na aeronave o agente de viagens Raphael Barão e três garotas de programa contratadas para o encontro.

Na manhã de 17 de julho, o grupo seguiu em uma lancha de cerca de 20 metros no Lago Paranoá. Conforme a investigação, Flávio passou parte do passeio na cabine da embarcação com garotas de programa. Houve consumo de bebidas alcoólicas e alimentos comprados em um restaurante flutuante, e uma despesa de R$ 1.949 foi paga por Raphael Barão.

O passeio terminou por volta das 15h. Nesse momento, segundo a reportagem, Trento entregou o relógio ao senador. O episódio ocorreu em um período de alta mortalidade pela Covid-19 no país.

Covaxin, CPI e reunião no BNDES

Na véspera da festa, o consórcio de veículos de imprensa registrou 1.299 mortes por Covid-19 em 24 horas, elevando o total de óbitos para 76.822. No dia seguinte, outros 1.110 mortos foram contabilizados. O encontro ocorreu enquanto o governo federal negociava vacinas para enfrentar a emergência sanitária.

A reportagem informa que foi baseada em depoimento de uma pessoa que estava na embarcação, documentos obtidos por CPIs, registros de voos e entrevistas com pilotos, assessores parlamentares e outras fontes. O levantamento também aponta movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao grupo econômico da Precisa Medicamentos e a Barão Turismo, responsável pelos serviços de Raphael Barão.

Somente em 2020, a agência teria recebido aproximadamente R$ 4 milhões de empresas ligadas ao grupo. Barão também participou de uma viagem à Índia organizada para representantes da Precisa negociarem com a Bharat Biotech.

A Precisa se tornou um dos principais alvos da CPI da Pandemia, que investigou suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin. O contrato previa cerca de R$ 80 por dose, enquanto propostas de outros fabricantes apresentavam valores inferiores: cerca de R$ 56,30 pela Pfizer e R$ 18 pela AstraZeneca.

Durante os trabalhos da comissão, Flávio defendeu a empresa. Em depoimento de Emanuela Medrades, ele elogiou a atuação da representante nas negociações e depois questionou as suspeitas sobre o contrato, que acabou encerrado sem desembolso de recursos públicos. O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.

O nome do senador também apareceu em uma reunião de outubro de 2020 com Gustavo Montezano, então presidente do BNDES. Na ocasião, Maximiano apresentou um projeto na área de telecomunicações e discutiu financiamento público. O banco confirmou os encontros, mas informou que nenhum financiamento foi contratado.

A investigação cita ainda uma viagem de Flávio Bolsonaro a Las Vegas, nos Estados Unidos, em janeiro de 2020, período em que Danilo Trento também esteve na cidade. Questionado pela CPI, o empresário preferiu ficar em silêncio. Flávio negou ter se encontrado com Trento no local e afirmou, em nota, que nunca se reuniu com ele em Las Vegas.

Até a publicação do levantamento, Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado sobre o teor da reportagem.