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Castro teve viagens pagas por advogado ligado a Flávio, diz PF

Relatório cita deslocamentos, despesas e contratos envolvendo Cláudio Castro, Willer Tomaz e a Loterj.

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Castro teve viagens pagas por advogado ligado a Flávio, diz PF
Foto: Reprodução

Um relatório da Polícia Federal apontou que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e integrantes da família dele viajaram para o exterior em aeronaves ligadas ao advogado Willer Tomaz, amigo pessoal de Flávio Bolsonaro (PL) e investigado em apuração sobre suspeita de lavagem de dinheiro. As informações constam de documentos analisados pela corporação e incluem ao menos três viagens envolvendo Castro e o advogado.

A viagens de Cláudio Castro também chamaram atenção porque, segundo os investigadores, Willer custeou deslocamentos do então governador e despesas do ex-presidente da Loterj, Hazenclever Lopes. A PF apura se a proximidade pessoal e profissional entre os envolvidos pode ter favorecido a empresa Rio Pag, ligada a Willer, em uma licitação feita em 2023 pela autarquia.

Castro negou qualquer contrapartida ou favorecimento e afirmou que conhece Willer desde 2020. Ele disse que os dois fizeram viagens particulares juntos e que não participou da licitação, da contratação da empresa nem de negociações envolvendo o advogado.

documentos citam viagens aos estados unidos e ao peru

Entre os materiais analisados pela PF estão mensagens de WhatsApp, e-mails e registros sobre deslocamentos em aeronaves executivas. Em uma comunicação datada de 24 de junho de 2025, uma funcionária da NetJets pergunta se os filhos de Cláudio Castro viajariam com os pais e pede o endereço de hospedagem da família em Orlando, na Flórida.

Na resposta, Willer informou que Castro e a então primeira-dama, Analine Castro, estariam na aeronave e que a família ficaria hospedada em um condomínio em Kissimmee, na região metropolitana de Orlando. Outro registro, de novembro de 2025, mostra envio de lista de passaportes para um voo com destino a Lima, no Peru.

Na relação estavam Cláudio Castro, Analine, os dois filhos do casal, familiares de Willer e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), além de outros passageiros. Segundo a investigação, Castro e familiares estiveram na capital peruana durante o fim de semana da final da Copa Libertadores, disputada entre Flamengo e Palmeiras.

Os investigadores também identificaram uma terceira viagem, sem destino informado no relatório, com participação de Castro, Willer e do senador Hiran Gonçalves (PP-RR).

avião usado por Flávio bolsonaro aparece na apuração

A terceira viagem envolve um avião Legacy 650, matrícula PP-NLR, usado por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 para retornar dos Estados Unidos ao Brasil. A aeronave tem ligações societárias com empresas relacionadas a Willer Tomaz e ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

De acordo com o relatório, a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e vinculada a Willer, detém uma das cotas do avião. A Prime You, que teve Vorcaro entre seus sócios, também participou da estrutura de propriedade da aeronave.

Willer reconheceu ser cotista minoritário do Legacy 650, mas disse que o avião é operado exclusivamente pela Prime You. Ele também negou pagamentos indevidos ou qualquer contrapartida nas viagens.

A relação entre Willer e Flávio Bolsonaro é investigada em inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

contrato da loterj e despesas sob análise

Além das viagens, a PF encontrou documentos que relacionam Willer Tomaz à Rio Pag, empresa contratada pela Loterj para operar pagamentos no setor de apostas. Um e-mail de dezembro de 2024 mostra que o advogado se apresentou a uma instituição financeira como sócio ou acionista da empresa.

Inicialmente, Willer dizia que sua atuação se limitava à advocacia, mas depois reconheceu participação indireta na companhia por meio de uma estrutura de sociedades empresariais. O contrato foi firmado em 2023, quando a Loterj era presidida por Hazenclever Lopes, nomeado durante o governo Cláudio Castro.

A licitação também é alvo de questionamentos na investigação. A PF registrou que duas empresas participaram do certame, mas a primeira colocada foi desclassificada porque apresentou o percentual com duas casas decimais, quando o edital exigia três. Depois disso, a concorrente restante negociou novo percentual e o contrato foi fechado.

O contrato chegou a ser cancelado durante a gestão interina de Ricardo Couto, diante de suspeitas de irregularidades. Em outra frente, uma planilha extraída do celular de Willer aponta despesas pagas em favor de Hazenclever, somando cerca de R$ 8,5 mil, entre passagens entre Rio de Janeiro e Brasília e uma hospedagem no Hotel Windsor, na Zona Sul do Rio.

Willer afirmou que os pagamentos estavam relacionados a serviços advocatícios e a uma parceria profissional com Hazenclever. A PF também identificou indícios de que o advogado tinha acesso a uma conta bancária da Rio Pag no BTG Pactual.

Castro disse que não sabia do vínculo entre Willer e a Rio Pag no momento da contratação e afirmou que a indicação de Hazenclever foi uma decisão política do PL. Ele negou que as viagens tenham representado benefício em troca de decisões administrativas.

A investigação segue para esclarecer a natureza das relações financeiras e profissionais apontadas nos documentos.