Quedas de crianças causam 33 mil internações por ano no SUS
Levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que mais de 90% dos acidentes podem ser evitados com medidas simples de proteção.

As quedas de crianças menores de dez anos provocaram, em média, 33 mil internações por ano na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), o equivalente a 2.750 por mês. Entre 2016 e 2025, foram 330.788 hospitalizações no Brasil, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Além disso, o primeiro semestre de 2026 mantém o mesmo padrão. Foram 14.997 internações pelo mesmo motivo, perto de 2.500 por mês. Os números foram obtidos a partir dos registros do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do SUS.
Sudeste e Nordeste concentram os casos
Desde 2016, as regiões Sudeste e Nordeste reúnem a maior parte das admissões. Contudo, os dados não mostram o quadro completo. Segundo Adriana Rocha Brito, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, há subnotificação, já que, em casos aparentemente mais leves, os responsáveis muitas vezes não procuram atendimento médico. Ademais, o levantamento não inclui hospitais privados.
Do total de registros em dez anos, 153.118 (46,3%) não tiveram o tipo de queda categorizado. Entre os casos especificados, 50.115 correspondem a quedas no chão ou na mesma superfície em que a criança já estava, sem envolver escadas, beliches, buracos ou desníveis. Em seguida aparecem os tombos por escorregão, tropeço ou passo em falso, com 45.323 internações.
Crianças de cinco a nove anos são as mais afetadas
Por faixa etária, 58,6% das internações (193.899) ocorreram entre crianças de cinco a nove anos. Nessa fase, elas passam a correr, brincar em parques e praticar esportes com mais frequência. Já as crianças de um a quatro anos responderam por 33,3% dos casos (110.111).
Os bebês menores de um ano somaram 26.778 internações. Nessa faixa, chamam atenção as quedas de leitos, com 3.724 episódios.
Segundo a pediatra, os traumatismos estão entre os principais motivos de hospitalização de crianças. Ela detalha os riscos por idade:
“Crianças de até dois anos têm risco maior de cair de móveis (da cama, do trocador, de cadeirões), mas também de escadas e dos andadores, que são contraindicados. Nas de dois a seis anos, se destacam quedas de móveis, de janela e equipamentos de recreação. O que leva à internação são fraturas, lesões, traumatismos de vários tipos, em diversas partes do corpo.”
Como evitar acidentes com crianças
De acordo com a especialista, mais de 90% dos acidentes podem ser evitados com medidas simples de proteção. “Basta conhecermos o ambiente que a criança frequenta, a sua etapa de desenvolvimento e as situações que a colocam em risco”, afirma.
Nas escolas, a prevenção exige manutenção periódica de equipamentos, brinquedos e mobiliário. Também é necessária a vigilância constante dos cuidadores, que não devem se distrair com celulares ou conversas paralelas. Nesse contexto, o pediatra, respaldado por departamentos científicos de saúde escolar, pode levar orientações técnicas ao ambiente de ensino.
Por outro lado, qualquer traumatismo ou ferimento significativo decorrente de queda exige avaliação médica imediata. Perda de consciência, impactos diretos na cabeça ou na face e suspeitas de fratura, muitas vezes diagnosticadas tardiamente, não devem ser negligenciados.
Andador infantil é contraindicado
Especialistas afirmam que o andador infantil favorece acidentes domésticos graves. Isso porque o equipamento dá velocidade e mobilidade excessivas ao bebê, o que permite o acesso a locais perigosos e pode causar quedas ou capotamentos de alto impacto.
Para Adriana, o aparelho não traz benefício ao desenvolvimento motor, que deve ocorrer de forma natural e no tempo de cada criança. Em vez disso, expõe os pequenos a riscos desnecessários de lesões e traumas.
Por fim, a médica lembra que os números de internação já sinalizam um problema, mas os dados de mortalidade mostram sua gravidade. “Nos últimos dez anos, o Brasil registrou 1.202 óbitos por quedas nessa população”, afirma.


