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Rua Buenos Aires, no Centro do Rio, já abrigou jornais e sindicato

Hoje conhecida pelo comércio de eletrônicos, a via já teve firma de dejetos, agência de seguros, grêmio de professores e redações de periódicos.

fabricio · 2 min de leitura
Rua Buenos Aires, no Centro do Rio, já abrigou jornais e sindicato
Foto: Reprodução

A Rua Buenos Aires, no Centro do Rio, é hoje um dos principais eixos comerciais da cidade, com destaque para o mercado de eletrônicos e de variedades. No entanto, a vocação comercial da via é antiga, e o endereço já foi sede de negócios e entidades bem diferentes dos atuais.

Na década de 1860, por exemplo, a rua reunia serviços variados. Entre eles estava a firma Mesquita & Moreira, que fazia o manejo de dejetos domésticos. Também funcionava ali a Mútua, agência especializada na venda de seguros de vida de pessoas escravizadas, prática ligada à escravidão no Brasil.

Nos anos seguintes, o local passou a concentrar também entidades políticas e associativas. Assim, a rua abrigou a Liga Metropolitana de Futebol e o primeiro Grêmio dos Professores do país. Além disso, recebeu a sede de um sindicato de padeiros anarquistas, onde os trabalhadores organizavam greves e outras ações.

Por fim, na década de 1930, a via ganhou o apelido de "Rua Jornalística". Isso aconteceu porque passou a reunir a sede de importantes periódicos da época, como A Manhã, O Popular e A Tarde.

Vale lembrar que a denominação atual é relativamente recente. A via se consolidou oficialmente como Rua Buenos Aires a partir de 1915, depois da assinatura de um decreto. O batismo ocorreu durante a gestão do prefeito Rivadávia da Cunha Correia.

Antes disso, o logradouro já tinha acumulado diferentes nomes. No período colonial, era chamado de "Rua Detrás do Hospício", depois simplificado para "Rua do Hospício". A escolha se explica porque os fundos da antiga Igreja do Hospício, construída na Rua do Rosário, chegavam até a Buenos Aires.

Com o passar dos séculos, o endereço também foi chamado de Rua Padre Luiz Mattoso, Rua da Portuguesa, Rua do Sebastião Ferrão, Rua do Teixeira e Rua do Alecrim. Esses nomes surgiam, em geral, por influência do comércio local ou de fatos do cotidiano.