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Desmatamento na Amazônia cai 42% e atinge menor nível já registrado

Dados do Prodes, do Inpe, mostram também queda de 24% na perda de vegetação nativa no cerrado, a terceira redução seguida no bioma.

fabricio · 3 min de leitura
Desmatamento na Amazônia cai 42% e atinge menor nível já registrado
Foto: Reprodução

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 42% no último ano e chegou ao menor valor já registrado em quase quatro décadas. A taxa foi de 3.335 km², número 27% inferior ao recorde anterior, de 4.571 km², registrado em 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16).

No cerrado, por sua vez, foram perdidos 5.516 km² de vegetação nativa. Houve, portanto, redução de 24% em relação a 2025. Trata-se da terceira queda consecutiva no bioma e do menor valor da série histórica, iniciada em 2013.

Dados do Prodes e período de medição

As informações vêm do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), sistema oficial de monitoramento do desmate no país. Ele é mantido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os valores se referem ao período de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026.

O intervalo de agosto a julho é a referência para medir a derrubada da floresta no Brasil. Isso ocorre porque a época de seca, principalmente de julho a setembro, tem menos nuvens e melhores condições para captar imagens de satélite. Além disso, a estiagem facilita a derrubada da vegetação. Assim, o recorte permite obter dados mais precisos sobre cada temporada de desmate.

O Prodes documenta desde 1988 a perda de vegetação nativa na Amazônia, com alta precisão, e depois passou a ser adotado nos demais biomas brasileiros. Já o Deter, outro sistema do Inpe, emite alertas de desmate em determinadas áreas para orientar ações de fiscalização. Suas atualizações são divulgadas semanalmente.

Políticas ambientais e declaração de Marina Silva

Os números dos últimos quatro anos indicam resultados da retomada das políticas de combate à destruição ambiental. Ela ocorreu sob a gestão de Marina Silva (Rede), que voltou a chefiar o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática (MMA) no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Especialistas destacam, entre as medidas, os novos planos de controle do desmate, lançados em 2023. Também citam a recomposição de servidores e de orçamento dos órgãos de fiscalização, além de restrições financeiras a desmatadores, como o bloqueio do crédito rural.

Marina deixou o ministério para disputar uma vaga no Senado, mas não foi eleita. Ela comentou o resultado e afirmou: “Essa conquista histórica é um patrimônio do povo brasileiro”. Em seguida, ressaltou que o desmatamento é o principal fator de emissões de gases de efeito estufa no país.

“Como principal fator de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, o desmatamento se traduz em extremos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, causando enchentes, deslizamentos de terra, ondas de calor e secas. Estes eventos tiram vidas, destroem casas, negócios, infraestruturas cruciais para as cidades e a própria economia.”

Divulgação ocorre perto do segundo turno

A atualização do Prodes foi divulgada a nove dias do segundo turno das eleições, em que Lula disputa a reeleição com Flávio Bolsonaro (PL). Embora a pauta ambiental tenha ficado fora do foco das campanhas, o aumento das queimadas no Amazonas desde setembro trouxe o tema de volta ao debate.

Nesta semana, João Paulo Capobianco, que assumiu o MMA após a saída de Marina, sobrevoou as áreas atingidas no estado. Na ocasião, o ministro afirmou que as forças de segurança investigam relatos de que os incêndios florestais estariam sendo provocados de forma deliberada e organizada.