ClickRio
Últimas

intestino e humor: o que a saúde intestinal pode revelar

Especialistas explicam a relação entre microbiota, alimentação, prisão de ventre e bem-estar emocional.

· 4 min de leitura
intestino e humor: o que a saúde intestinal pode revelar
Foto: Reprodução

A saúde intestinal pode influenciar o humor, a alimentação e a forma como o corpo reage ao dia a dia. O tema ganhou destaque em uma reflexão sobre o intestino, descrito como o “segundo cérebro”, e nas entrevistas com o Dr. Bactéria e a Dra. Elaine Silveira.

Ao longo da conversa, os especialistas trataram da microbiota, da prisão de ventre e de hábitos cotidianos. Além disso, abordaram cuidados com alimentos crus, o uso de probióticos e a importância de observar sinais persistentes no funcionamento intestinal.

Segundo o Dr. Bactéria, o corpo funciona como um ambiente de convivência entre microrganismos. “O seu corpo é como se fosse um ônibus”, disse. Ele explicou que essas bactérias recebem abrigo e nutrientes e, em troca, podem ajudar na proteção do organismo.

O especialista usou o termo eubiose para falar desse equilíbrio. Quando a composição da microbiota muda, pode surgir a disbiose. Esse desequilíbrio, entretanto, aparece associado a problemas de saúde em alguns contextos.

Alimentação e microbiota

A conversa também tratou da relação entre comida e intestino. O que uma pessoa come não alimenta apenas o corpo. Também fornece nutrientes aos microrganismos que vivem nele.

Dr. Bactéria citou ainda a influência dos alimentos ultraprocessados. “Inclusive, algumas vontades de doce que você tem, nossa, aquela vontade de comer doce, é que tem bactérias que estão precisando de carboidrato”, afirmou.

Apesar disso, o próprio texto faz uma ressalva. O desejo por doce envolve vários fatores, como hábitos, emoções, sono e mecanismos de recompensa do cérebro. Portanto, não se pode atribuir esse comportamento apenas às bactérias.

Ele também destacou que importa não só a quantidade, mas também os tipos de microrganismos. “Não é só a quantidade de bactérias que você tem no corpo, os tipos”, disse. Sobre os probióticos, reforçou: “Por isso que é mais importante você alimentar aquelas que tem.”

Dessa forma, uma dieta variada ajuda a oferecer substratos para diferentes microrganismos intestinais. Alimentos ricos em fibras, frutas, verduras, legumes e leguminosas entram nesse grupo.

Cuidados na cozinha

O médico também comentou costumes comuns na cozinha. “Lavar carne, por exemplo, é erradíssimo. Lavar frango, esse negócio é erradíssimo”, afirmou. A orientação faz sentido porque a lavagem pode espalhar microrganismos pela pia e pelos utensílios.

Além disso, ele questionou a regra dos cinco segundos para alimentos que caem no chão. A contaminação pode ocorrer imediatamente, conforme a superfície e o alimento.

Outra orientação abordada foi sobre ovos. A lavagem inadequada pode comprometer a proteção natural da casca. Por isso, é importante seguir as recomendações de conservação da embalagem e as orientações sanitárias aplicáveis ao produto.

Também houve um esclarecimento importante: alimentos ainda quentes podem ir para a geladeira. O ideal, porém, é dividi-los em porções menores e rasas, para acelerar o resfriamento.

Prisão de ventre e saúde

Na conversa com a Dra. Elaine Silveira, o foco recaiu sobre a prisão de ventre. Ela alertou que o problema não deve ser normalizado, mesmo quando muitas pessoas o encaram como rotina.

O funcionamento intestinal, contudo, não depende apenas da frequência das evacuações. Também importa observar a consistência das fezes, o esforço para evacuar e a sensação de esvaziamento incompleto.

Um recurso citado foi a Escala de Bristol, que classifica as fezes em sete tipos, conforme a forma e a consistência. A ferramenta ajuda na observação, mas não substitui avaliação profissional.

Alterações persistentes, dor, sangramento ou outros sintomas pedem acompanhamento de saúde. A especialista também tratou das lavagens intestinais, incluindo irrigação transanal e hidrocolonterapia.

Esses procedimentos são distintos e têm riscos e indicações próprias. Assim, não devem ser vistos como soluções universais para melhorar a saúde intestinal.

A mensagem final da conversa é direta: cuidar da saúde intestinal exige atenção aos hábitos, observação dos sintomas e busca por orientação qualificada. Afinal, intestino e cérebro se comunicam, e essa relação pode afetar tanto o corpo quanto o humor.