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Rio tem projetos de petroquímica e fertilizantes de R$ 25 bi

Firjan vê oportunidade até 2030 com gás do pré-sal, enquanto Braskem, Petrobras e empresas do Norte Fluminense avançam em estudos.

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Rio tem projetos de petroquímica e fertilizantes de R$ 25 bi
Foto: Reprodução

O Estado do Rio de Janeiro reúne uma carteira de projetos de petroquímica e fertilizantes que pode superar R$ 25 bilhões até 2030. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a expansão do processamento de gás natural do pré-sal abre espaço para ampliar a produção industrial fluminense.

A expectativa é usar a oferta de petróleo e gás natural para fabricar produtos de maior valor agregado. Entre eles, estão plásticos, produtos químicos e insumos usados na agricultura. As informações constam na publicação Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2026, que será lançada neste 4 de novembro.

Braskem tem projeto em Duque de Caxias

Entre os empreendimentos citados, está o Transforma Rio, da Braskem, em Duque de Caxias. O investimento previsto é de cerca de R$ 4,3 bilhões.

O projeto prevê uma unidade de processamento de etano, matéria-prima usada pela indústria petroquímica. Além disso, a empresa planeja ampliar a produção de polietileno em aproximadamente 230 mil toneladas por ano.

Essa resina entra na fabricação de embalagens, tubos e outros produtos. Dessa forma, o empreendimento busca ampliar a transformação do gás natural em matérias-primas para diferentes segmentos industriais. A expansão está ligada à infraestrutura do gasoduto Rota 3 e do Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí.

Petrobras avalia novos químicos

No Complexo de Energias Boaventura, a Petrobras também estuda produzir ácido acético e monoetilenoglicol. Os dois produtos têm uso em diferentes segmentos da indústria.

O monoetilenoglicol serve para embalagens PET e fibras sintéticas. Já o ácido acético tem aplicações na indústria química. De acordo com a Firjan, a unidade de processamento do complexo, com dois módulos, pode receber até 21 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

Para o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, o desafio é ampliar a transformação das matérias-primas produzidas no estado. Segundo ele, petróleo e gás natural podem gerar mais valor quando alimentam etapas seguintes da cadeia produtiva.

Fertilizantes no Norte Fluminense

No Norte Fluminense, o levantamento identifica projetos voltados à produção de fertilizantes nitrogenados. Essas iniciativas usam gás natural como matéria-prima para fabricar amônia e ureia.

No Porto do Açu, há previsão de um empreendimento com capacidade para produzir 1,38 milhão de toneladas de ureia e 781,5 mil toneladas de amônia por ano. Em Macaé, outro projeto de fábrica prevê capacidade estimada de 1,8 milhão de toneladas anuais de ureia.

Apesar do potencial, a implantação das unidades depende de condições econômicas, comerciais, regulatórias e de infraestrutura. Ainda assim, a Firjan avalia que o cenário pode fortalecer a cadeia produtiva no estado.

Os projetos também podem reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil gastou aproximadamente US$ 8,8 bilhões com importações de adubos e fertilizantes químicos. O valor representa alta de 7,3% ante o mesmo período do ano anterior, mesmo com queda no volume comprado.

“O desafio da próxima década é coordenar políticas que assegurem preços competitivos para o gás natural, segurança jurídica e previsibilidade regulatória”, disse Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan.

A entidade avalia, portanto, que a expansão da infraestrutura de gás do pré-sal pode impulsionar as cadeias de petroquímica e fertilizantes no Rio de Janeiro. No entanto, a concretização dos investimentos depende das condições necessárias para a implantação dos empreendimentos.