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Hackers atacam supermercados e alteram freezers na Europa

Ataques atingiram redes em seis países e chegaram a colocar equipamentos em 50°C, segundo empresas e autoridades.

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Hackers atacam supermercados e alteram freezers na Europa
Foto: Reprodução

ataque hacker em supermercados atingiu redes na Europa e alterou, de forma remota, a temperatura de geladeiras e freezers. O caso foi identificado na madrugada de segunda-feira (2) e afetou lojas em vários países.

Em alguns estabelecimentos, os equipamentos chegaram a 50°C. Dessa forma, a conservação de alimentos foi comprometida, e comerciantes precisaram descartar produtos.

Os casos ocorreram na Suécia, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda, Estônia e Portugal. Entre as redes atingidas, estão Carrefour, Intermarché, Delhaize, ICA e Coop.

Como os ataques afetaram as lojas

Os criminosos não miraram sistemas de pagamento nem dados de clientes. O alvo, portanto, foram os equipamentos que mantêm carnes, laticínios, congelados e outros perecíveis em temperatura adequada.

Na Suécia, uma unidade da ICA informou que hackers mudaram a configuração dos refrigeradores e freezers para 50°C. Em Estocolmo, funcionários da ICA Baronen encontraram os equipamentos sem funcionamento ao chegar ao trabalho.

Segundo o gerente de vendas, a invasão ocorreu por volta das 2h. A falha só foi percebida às 5h30. Um porta-voz da ICA disse à agência Reuters que um número limitado de lojas foi afetado.

A Coop também confirmou problemas em estabelecimentos suecos. Além disso, na Bélgica e em Luxemburgo, a Ahold Delhaize relatou falhas nos sistemas de refrigeração de dezenas de lojas.

O grupo Colruyt informou ataques a equipamentos de cinco unidades da rede Spar. Segundo Stephan Moelans, presidente-executivo da Sabcobel, os invasores acionaram remotamente o modo de degelo. Assim, os equipamentos deixaram de refrigerar os produtos.

Portugal também registrou casos

Em Portugal, sete lojas do Intermarché tiveram os sistemas de refrigeração afetados. O Grupo Mosqueteiros, responsável pela rede, confirmou as ocorrências e disse que o alvo teria sido uma empresa externa.

Em comunicado, a empresa afirmou que o prestador de serviços externo geria os sistemas de refrigeração. Desde a identificação do problema, o grupo acionou procedimentos para restabelecer o funcionamento e reduzir os impactos.

O grupo também afirmou que a cadeia de abastecimento não foi afetada. Além disso, disse que as condições de higiene e segurança alimentar foram preservadas nas lojas portuguesas.

As autoridades portuguesas passaram a investigar os incidentes. No entanto, ainda não há confirmação sobre a autoria dos ataques.

Risco para sistemas conectados

Casos semelhantes já haviam atingido a França em outubro. Segundo informações da polícia francesa divulgadas pela Reuters, centenas de estabelecimentos sofreram ataques parecidos.

Na ocasião, criminosos conseguiram controlar remotamente equipamentos de refrigeração. As temperaturas chegaram a 50°C, e os episódios provocaram perdas de alimentos e, em alguns casos, incêndios.

A investigação apontou riscos em sistemas que permitem monitoramento e controle remoto de equipamentos comerciais. Por isso, autoridades e empresas recomendaram atualização dos dispositivos e restrição do acesso externo.

Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria da nova onda de ataques. As autoridades europeias investigam os incidentes, mas ainda não disseram se houve coordenação entre eles.

O chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética da Suécia, John Billow, afirmou que há dispositivos industriais expostos a riscos. Segundo ele, é necessário atualizar os sistemas ou aplicar patches.

Os ataques recentes diferem dos episódios de ransomware. Nesse tipo de crime, hackers exigem dinheiro para liberar sistemas bloqueados. Nos supermercados, porém, a principal consequência foi a interrupção da refrigeração e a perda de mercadorias.