Câncer de próstata no RJ pode passar de 9 mil casos em 2026
Estimativa do Inca aponta 9.090 novos diagnósticos no estado, com 3.570 na capital, e reforça o Novembro Azul.

O câncer de próstata deve atingir 9.090 novos casos no estado do Rio de Janeiro em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer. Na capital, a projeção chega a 3.570 diagnósticos, quase 10 por dia. O dado reforça a campanha do Novembro Azul e a atenção à saúde masculina.
A doença pode avançar sem dor e sem mudanças urinárias no início. Além disso, o risco cresce com a idade, principalmente após os 60 anos. Homens com histórico familiar ou predisposição genética também podem ter chance maior de desenvolver o tumor.
Rastreamento deve ser individualizado
Para o urologista Dr. Mark Fernando Neumaier, a prevenção precisa considerar cada paciente. “Prevenção não significa fazer todos os exames disponíveis, mas realizar aqueles que realmente fazem sentido para cada paciente”, afirmou.
Ele explica que um homem com histórico familiar pode precisar de uma abordagem diferente. Dessa forma, o acompanhamento individualizado ajuda a evitar diagnósticos tardios e também exames desnecessários.
Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade para urinar, jato urinário fraco e necessidade de levantar várias vezes à noite. Ainda assim, esses sintomas também podem aparecer na hiperplasia prostática benigna, que não é câncer.
O urologista Dr. Lucas Takikawa reforça que sintomas, sozinhos, não fecham diagnóstico. “A presença de sintomas urinários não permite concluir que existe câncer, assim como a ausência de sintomas não descarta a doença”, disse.
Exames e tratamento
A avaliação pode incluir o exame de PSA, feito com coleta de sangue, e o toque retal. No entanto, a indicação do rastreamento precisa considerar idade, histórico familiar, condições clínicas, benefícios e riscos.
Alterações persistentes também devem ser investigadas por um médico. Assim, a decisão sobre seguir com exames ou tratamentos depende da análise individual de cada caso.
As opções terapêuticas variam conforme a agressividade e o estágio do tumor. Em alguns casos, a vigilância ativa pode ser uma escolha. Em outros, o paciente pode precisar de cirurgia, radioterapia ou tratamentos sistêmicos.
Entre os avanços citados pelos especialistas está a cirurgia robótica. Segundo o urologista Dr. Thomas Vallezi Battaglia, a técnica amplia a visualização das estruturas e permite movimentos delicados.
“A cirurgia robótica permite uma visualização ampliada das estruturas e movimentos bastante delicados”, afirmou. Ele acrescentou que o método pode contribuir para preservar tecidos ligados à continência urinária e à função sexual.
Por outro lado, os resultados dependem das características do tumor, da anatomia do paciente e da experiência da equipe. Por isso, os médicos defendem informação clara sobre as alternativas terapêuticas.
Novembro Azul e outros cuidados
O tema também se conecta a outros cuidados com a saúde masculina. Doenças cardiovasculares, como hipertensão e problemas nas artérias coronárias, podem evoluir sem sintomas evidentes.
O cardiologista Dr. Carlo Bonasso Filho destaca que a pressão alta pode permanecer silenciosa por anos. Dessa forma, o problema aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral.
No Rio de Janeiro, onde milhares de homens podem receber o diagnóstico ao longo de 2026, o Novembro Azul busca estimular mudanças de comportamento. Além do acompanhamento médico, atividade física, alimentação equilibrada e controle do peso ajudam na saúde geral.
Mesmo assim, essas medidas não eliminam o risco de câncer. Para Mark Neumaier, o cuidado precisa continuar durante todo o ano. “Cuidar da saúde não é sinal de fragilidade”, disse. “Novembro é um lembrete importante, mas esse cuidado precisa acontecer durante os doze meses do ano.”