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Ala do PL é acusada de oferecer dinheiro a bolsonaristas

Relatos citam lista de contas, ataques a rivais e suposta oferta de R$ 100 por nome em transmissão no X.

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Ala do PL é acusada de oferecer dinheiro a bolsonaristas
Foto: Reprodução

Relatos de apoiadores do bolsonarismo sobre uma suposta oferta de dinheiro para ataques no PL ampliaram a disputa interna no partido. As menções apareceram em transmissão pública e em mensagens no X, com orientações para bloquear, silenciar e atacar perfis ligados a alas rivais.

As declarações reunidas pela palavra-chave apontam para uma lista de 50 contas. Um dos participantes falou em R$ 100 por nome, mas disse ter recusado o pagamento. Os relatos, porém, não comprovam financiamento nem execução dos ataques.

Parte das acusações surgiu durante a Space Arena, fórum organizado no X pelo apoiador bolsonarista Rafael Cavalcanti. A transmissão de 25 de agosto reuniu 58 participantes, contando entradas e saídas, e segue salva no perfil do anfitrião.

Lista de contas e suposto pagamento

Na conversa, um participante questionou diretamente a suposta proposta para enfraquecer outros nomes da direita. Ele perguntou se havia uma lista com 50 nomes e dinheiro para cancelar, bloquear e silenciar essas contas.

Outro usuário confirmou a existência da lista e mencionou R$ 100 por alvo. Depois, negou ter aceitado a proposta e afirmou: “Não me vendi”. Na mesma transmissão, ele também disse receber dinheiro para atuar fora da plataforma em campanhas de pré-candidatos do PL.

“Eu ia fazer umas campanhas aqui no Twitter, tinha alguns pré-candidatos (…) do PL tinha alguns nomes. Enfim, não vou citar esses nomes, não sou bobo, que são figuras carimbadas”, disse. Em seguida, completou: “Não estou apoiando pré-candidatos aqui no Twitter, mas fora do Twitter estou apoiando pré-candidatos, estou recebendo dinheiro fora do Twitter”.

Segundo a Folha, os relatos foram identificados por aliados do PT, que monitoravam possíveis ataques a integrantes da esquerda. O jornal verificou que os perfis envolvidos pertencem a pessoas reais, estão ativos desde pelo menos 2021 e não são contas automatizadas. Ainda assim, essa checagem não comprova as acusações de financiamento.

Eduardo Bolsonaro entra na disputa

Em publicações posteriores à transmissão, outros usuários voltaram a citar instruções para ações coordenadas. Segundo um desses relatos, Eduardo Bolsonaro teria orientado ataques contra apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais. As mensagens também mencionavam o uso de bots contra rivais.

Procurado, Eduardo informou, por meio de Paulo Figueiredo, que desconhecia o episódio. As acusações aparecem em meio às divergências públicas entre Eduardo e Nikolas sobre a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Eduardo criticou o parlamentar mineiro por considerar insuficiente sua participação. Em levantamento anterior, Nikolas citou Flávio em dez de 544 publicações feitas no X, em cerca de quatro meses de pré-campanha.

Aliados do deputado afirmaram que a atuação buscava desgastar Lula e mobilizar eleitores em torno de pautas conservadoras. Já um usuário que disse estar na lista questionou se recursos partidários estavam sendo usados para financiar os ataques. A origem do suposto dinheiro, porém, não apareceu nos relatos.

O PL e a campanha de Flávio Bolsonaro não responderam aos contatos feitos por WhatsApp e e-mail. Rafael Cavalcanti também não foi localizado para comentar as acusações.