Livro revela ameaças a Lula e bastidores da prisão em Curitiba
Obra reúne relatos de agente da PF sobre a rotina do petista e episódios durante os 580 dias de encarceramento.

Um livro sobre a prisão de Lula reúne relatos do agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho. A obra registra ameaças feitas durante a chegada do petista a Curitiba, em abril de 2018. O ex-presidente cumpriu pena na sede da PF e deixou a prisão em novembro de 2019.
O livro, intitulado Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula, foi lançado nesta terça-feira (3). Segundo o autor, a obra também traz bastidores da rotina de custódia, além de episódios pouco conhecidos do período.
Ameaças no voo até Curitiba
De acordo com o relato, as manifestações hostis ocorreram durante o trajeto entre o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e a superintendência da PF. O voo durou cerca de 15 minutos. Nesse período, Chastalo ouviu frases como “Joguem esse lixo pela janela” e “Não o soltem nunca mais”.
Uma ordem para jogar Lula pela janela de um helicóptero também marcou a chegada do ex-presidente. As declarações chegaram pelo sistema de comunicação da aviação e, por isso, o comandante exigiu respeito. Ele também restringiu as comunicações a assuntos operacionais.
Chastalo afirma que a chegada de Lula exigiu três dias de preparação e quatro planejamentos diferentes. Ao entrar na unidade, o ex-presidente estava em silêncio e demonstrava abatimento, segundo o relato.
Ainda no início da custódia, o policial relatou preocupação com a alimentação. No segundo dia, ele comprou uma refeição em um restaurante próximo. A decisão levou em conta o risco de alguém tentar envenenar a comida destinada ao petista.
Rotina na sede da PF
O espaço reservado a Lula tinha cama de solteiro, mesa, cadeira e armário antigo. Além disso, as janelas contavam com grades e correntes que limitavam a abertura. O primeiro banho de sol ocorreu apenas no quarto dia.
O passeio ao ar livre aconteceu em uma área cercada por muros de aproximadamente dois metros. Lula reclamou das condições e comparou o ambiente a uma jaula. O livro também trata de visitas familiares, inclusive as do neto Arthur, que morreu em 2019, aos sete anos.
Segundo o relato, o menino desenhava com o avô. Lula também teria pedido uma bola para brincar com o neto. O autor descreve ainda uma convivência cordial, com conversas sobre política e comentários bem-humorados.
Entretanto, houve episódios de irritação. Um deles ocorreu quando Lula soube que seu passaporte havia sido furtado. A publicação também afirma que a editora WMF Martins Fontes adiou o lançamento até depois das eleições presidenciais de 2026, para evitar uso na campanha eleitoral.
Lula deixou a prisão em novembro de 2019 após decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o cumprimento de pena antes do trânsito em julgado. Depois, em 2021, o STF anulou as condenações da Lava Jato. A Corte reconheceu a incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar os processos.



