Acidentes com asa-delta e parapente em São Conrado deixam cinco mortos em 2026
Região da Pedra Bonita e da Praia de São Conrado acumulou ocorrências graves, com resgates e investigações da Polícia Civil.

A região da Pedra Bonita e da Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio, acumulou acidentes em São Conrado ao longo de 2026. Com a queda que matou um turista argentino e um instrutor nesta segunda-feira (2), o ano chegou a cinco mortes em ocorrências com asa-delta e parapente.
Os casos mobilizaram o Corpo de Bombeiros, exigiram resgates em áreas de mata e também alcançaram o mar e o calçadão. Além disso, as ocorrências provocaram suspensão de atividades e investigação da Polícia Civil.
Os acidentes aconteceram em momentos diferentes do voo. Houve registros durante a decolagem, na aproximação para o pouso e também após queda em área de difícil acesso. Assim, a sequência de casos reforçou a atenção para a prática na região.
Mortes em fevereiro e agosto
No dia 21 de fevereiro, uma asa-delta caiu no mar da Praia de São Conrado. Morreram o instrutor Rodolfo Pascoal Ladeira e a turista norte-americana Jenny Colôn Rodríguez.
Rodolfo chegou sem vida à areia. Jenny recebeu socorro em estado grave e foi levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu. Segundo testemunhas, o paraquedas de emergência chegou a ser acionado, porém não teria armado a tempo.
De acordo com a Confederação Brasileira de Voo Livre, Rodolfo tinha 16 anos de experiência no esporte. Ele acumulava mais de 350 decolagens em cerca de 50 pistas diferentes. A entidade também informou que ele possuía licença para voar com o equipamento.
Em 28 de agosto, o coronel do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima, de 63 anos, morreu após cair de parapente no mar de São Conrado. Ele também recebeu socorro em estado grave e foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu.
Segundo o Clube São Conrado de Voo Livre, uma linha de pipa com cerol teria atingido o equipamento durante o voo. O clube afirmou ainda que imagens de câmeras mostrariam pipas na rota dos parapentes. O caso seguiu para investigação da Polícia Civil.
Acidentes em outubro
Outubro também registrou ao menos dois acidentes na região. No dia 24, uma queda de asa-delta na Pedra Bonita mobilizou o Corpo de Bombeiros. A vítima caiu com o equipamento em um morro abaixo da rampa de decolagem, em área de difícil acesso.
Segundo os bombeiros, houve problema durante a decolagem. Depois disso, o piloto precisou pousar de emergência e saiu com ferimentos leves.
No dia 29, um voo duplo de parapente terminou com duas mulheres feridas em São Conrado. O equipamento atingiu o calçadão, perto da ciclovia, durante a aproximação para o pouso.
Militares do Grupamento Marítimo de Copacabana fizeram o resgate e encaminharam as vítimas ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Além disso, a ocorrência reforçou a sequência de chamados na mesma área.
O acidente mais recente
O caso mais recente ocorreu no fim da manhã desta segunda-feira. Uma asa-delta caiu na Praia de São Conrado após sair da Rampa da Pedra Bonita.
As vítimas foram identificadas como o argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos, e o instrutor Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos. Segundo testemunhas, o equipamento fez uma curva em baixa altitude e atingiu o muro entre o calçadão e a areia.
Os dois receberam socorro em estado grave, com parada cardiorrespiratória, e foram levados ao Hospital Municipal Miguel Couto. O passageiro morreu no local. Já o instrutor chegou a ser encaminhado com vida, mas não resistiu.
Após o acidente, os pousos foram suspensos. A asa-delta passará por perícia, e o caso foi registrado na 15ª DP, na Gávea.
Com isso, a região de São Conrado encerra 2026 com uma sequência de ocorrências graves ligadas ao voo livre. Os casos envolvem mar, calçadão, mata e áreas próximas à rampa de decolagem.



