ClickRio
Últimas
Política

Voto distrital misto: proposta do Centrão mira eleições de 2026

Modelo em debate no Congresso pode mudar a escolha de deputados e tentar conter o avanço do PL.

· 3 min de leitura
Voto distrital misto: proposta do Centrão mira eleições de 2026
Foto: Reprodução

Voto distrital misto entrou no centro do debate político após a articulação de partidos do Centrão para mudar as regras eleitorais. A proposta, discutida no Congresso Nacional, busca conter o avanço do PL nas eleições de 2026.

A movimentação cresceu depois que o Partido Liberal conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados. O resultado representou 22 vagas a mais do que em 2022. Ao mesmo tempo, partidos do Centrão perderam espaço no Legislativo, e o bloco encolheu 22 cadeiras.

Nos bastidores, líderes de centro avaliam que o modelo proporcional atual favoreceu candidaturas bolsonaristas. Além disso, eles dizem que a mudança pode reorganizar a disputa eleitoral e preservar influência regional.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer avançar com uma Proposta de Emenda à Constituição ainda em 2026. A articulação também envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Além disso, a negociação busca apoio do PT e de setores do próprio PL.

Como funcionaria o sistema

Hoje, o país usa o sistema proporcional para eleger deputados federais. Nesse modelo, os votos de candidatos e partidos entram no cálculo das cadeiras de cada legenda ou federação.

O sistema também permite a atuação dos chamados puxadores de votos. Nas eleições de 2026, nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) ajudaram a ampliar a representação de suas siglas.

No voto distrital misto, cada estado seria dividido em distritos eleitorais. Parte das cadeiras sairia da votação direta em cada região. As demais vagas seriam preenchidas por listas organizadas pelos partidos, conforme o desempenho eleitoral.

Assim, em um estado com 20 cadeiras, dez poderiam sair dos distritos e dez da distribuição proporcional. Se um partido conquistasse quatro vagas pela lista, os quatro primeiros nomes indicados assumiriam os mandatos.

A fórmula final ainda depende de negociação. Portanto, a forma de contar os votos e distribuir as cadeiras segue em discussão no Congresso.

Resistência e próximos passos

Entre os defensores da mudança estão Gilberto Kassab, presidente do PSD, e Ciro Nogueira, dirigente do Progressistas. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) é cotado para relatar a proposta.

Por outro lado, o PL resiste à alteração. Setores do PT também demonstram preocupação, principalmente porque a proposta surge após uma eleição presidencial acirrada.

Há ainda dúvidas sobre a definição dos distritos. Também preocupam a influência de grupos criminosos em algumas regiões e a representação de mulheres e negros nas listas partidárias.

Uma alternativa em negociação prevê o uso temporário do chamado Distritão em 2030. Nesse modelo, seriam eleitos os candidatos individualmente mais votados em cada estado, sem distribuição proporcional por partidos.

Depois disso, o voto distrital misto passaria a valer integralmente em 2034. A divisão territorial dos distritos ainda precisaria de critérios técnicos do IBGE e de acompanhamento do Congresso.

Defensores afirmam que o novo sistema pode reduzir custos de campanha e aproximar eleitos e eleitores. Contudo, críticos veem risco de concentração de poder nas direções partidárias e de enfraquecimento da representação de minorias.

Por enquanto, não existe acordo para aprovar a mudança. A proposta ainda precisa reunir apoio nas duas Casas do Congresso para alterar a Constituição.