Engenheiro morto em assalto após ato pró-Lula doa órgãos
Família autorizou a doação e, segundo o pai, quatro pessoas receberam órgãos e tecidos do jovem de 28 anos.

A doação de órgãos do engenheiro Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos, ajudou quatro pessoas após sua morte em Santos, no litoral paulista. Ele morreu depois de ser agredido durante um assalto, na madrugada de 24 de outubro, após participar de um ato político em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A família autorizou a doação, e o pai disse que a decisão respeitou um desejo do próprio jovem. Segundo Marcelo Rodrigues da Rocha, os órgãos e tecidos aproveitados beneficiaram quatro pacientes que aguardavam transplantes. “Ele era uma pessoa tão boa que perdeu a vida, mas salvou quatro”, afirmou.
Família respeitou desejo do jovem
De acordo com o pai, a família não impôs restrições. Assim, as equipes médicas puderam avaliar o que poderia ser doado. Segundo os familiares, pâncreas, rim, fígado e córneas foram considerados aptos.
Marcelo se afastou de uma apresentação da Banda Esquerdantina, realizada em apoio à reeleição de Lula. Ao procurar um banheiro, ele foi cercado, agredido e roubado por um grupo de suspeitos. Além disso, a violência foi transmitida ao vivo pelas redes sociais, segundo a apuração.
O engenheiro recebeu socorro, mas teve a morte cerebral confirmada dias depois. O sepultamento ocorreu na quarta-feira (28), no Cemitério Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.
Planos de estudo na Europa
Formado em Engenharia, Marcelo cursava mestrado em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Santos. Ele dividia a rotina entre a capital paulista e a Baixada Santista.
Além disso, o jovem planejava fazer estágios científicos na Alemanha e na França. Segundo sua orientadora, ele já havia sido pré-selecionado para receber apoio financeiro em uma experiência acadêmica na França.
A morte causou comoção na comunidade universitária. Por isso, a Unifesp suspendeu atividades em sinal de luto.
Investigação do caso
A Polícia Civil identificou oito envolvidos, sendo seis adolescentes e dois adultos. Um dos adultos, apontado como responsável pela conta no TikTok usada para transmitir as agressões, teve a prisão temporária decretada.
Um adolescente que pratica boxe também é investigado por suspeita de ter dado o soco que derrubou Marcelo. Ele foi localizado em Itariri, no interior paulista.
A investigação trata o caso como latrocínio, já que o celular e outros pertences da vítima foram roubados. A polícia busca localizar os demais investigados, contra os quais foram expedidas ordens judiciais de prisão ou internação provisória, conforme a idade.
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