Nilópolis suspende emergência do Hospital JK após corte de repasses
Prefeitura diz que recurso estadual caiu de R$ 5,6 milhões para R$ 1 milhão e acionará a Justiça para tentar reverter a decisão.

A Prefeitura de Nilópolis suspendeu os atendimentos de emergência do Hospital Municipal Juscelino Kubitschek, na Baixada Fluminense, neste sábado (31). A decisão ocorreu após a queda nos repasses estaduais, segundo o prefeito Abraãozinho David (PL). A emergência do Hospital JK entrou no centro da crise, porque o valor mensal caiu de R$ 5,6 milhões para R$ 1 milhão desde junho.
De acordo com a administração municipal, a redução comprometeu o funcionamento do serviço. Além disso, o prefeito afirmou que o repasse restante também estaria atrasado. Por isso, a prefeitura diz que não consegue manter a emergência com os recursos disponíveis.
Prefeitura prepara ação judicial
Em vídeo nas redes sociais, Abraãozinho David disse que a gestão tenta evitar o fechamento do setor. Ainda assim, ele informou que a suspensão seguirá enquanto durar o impasse. A Procuradoria-Geral do Município prepara uma ação judicial para cobrar a regularização dos repasses estaduais.
Apesar da suspensão da emergência, o hospital não terá fechamento integral. Segundo a prefeitura, a maternidade, as internações clínicas e as cirurgias eletivas continuarão funcionando. Assim, apenas o atendimento de urgência ficará interrompido por enquanto.
Quem precisar de atendimento urgente deve procurar a Unidade de Pronto Atendimento de Nilópolis. A UPA seguirá funcionando normalmente, conforme a administração municipal. Portanto, o fluxo de pacientes de urgência deve ser direcionado para essa unidade.
Estado contesta a versão do município
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro apresentou outra versão sobre o financiamento. A pasta informou que adotou novos critérios de distribuição dos recursos, por meio da Resolução SES nº 4.024/2026. Segundo a secretaria, a medida foi pactuada com as prefeituras dos 92 municípios fluminenses.
Além disso, a SES-RJ disse que a nova metodologia substituiu a Resolução SES nº 3.642/2025. A secretaria afirma que o modelo busca descentralizar os investimentos e distribuir os recursos de forma mais equilibrada entre as cidades. Também informou que pretende destinar R$ 860 milhões aos municípios até o fim de 2026.
Sobre Nilópolis, a pasta afirmou que os valores citados pela prefeitura foram repassados integralmente até 2025, conforme as regras anteriores. A secretaria também disse que pagou R$ 3,3 milhões referentes a setembro dentro do prazo previsto.
Articulação política
Diante da crise, o deputado estadual Rafael Nobre (União) iniciou articulações com o governador eleito Douglas Ruas (PL). O objetivo é tentar garantir a retomada integral dos recursos do hospital. Segundo o parlamentar, Ruas assumiu o compromisso de trabalhar pela recomposição dos repasses e pela ampliação do financiamento da rede hospitalar.
“É inadmissível que o poder público obrigue as pessoas a se deslocar por horas de viagem para ter acesso a um serviço básico de saúde”, afirmou Douglas Ruas.
Rafael Nobre também defendeu uma solução rápida para evitar novos prejuízos à população. “Nosso objetivo é restabelecer o atendimento de emergência o mais rápido possível e garantir que a população tenha acesso à saúde perto de casa”, declarou. Até o momento, não há previsão para a retomada da emergência do Hospital JK.
Enquanto isso, a prefeitura mantém a cobrança por uma resposta do governo estadual. Assim, a situação segue sem definição e com impacto direto no atendimento de urgência em Nilópolis.



