Brasileira sobreviveu a 73 cânceres de pele e aguarda cirurgia
Hilaria Mireski, de Itaiópolis, convive com a síndrome de Gorlin-Goltz e espera reconstrução do nariz e de uma área do olho.

Uma brasileira de 62 anos sobreviveu a 73 casos de câncer de pele e agora aguarda uma cirurgia. Hilaria Mireski mora em Itaiópolis, em Santa Catarina, e convive há quase três décadas com a síndrome de Gorlin-Goltz.
A condição é rara e hereditária. Ela afeta mecanismos que controlam o crescimento das células. Por causa da doença, Hilaria aguarda uma reconstrução do nariz, que ficou destruído ao longo dos tratamentos.
Tratamentos e diagnósticos
Há quase dez anos, Hilaria faz quimioterapia. Atualmente, ela respira pela boca, não sente o gosto do sal e do açúcar da mesma forma e, ao comer carne, percebe sensação semelhante à de mastigar borracha.
O primeiro sinal apareceu quando ela tinha 33 anos. Na época, procurou um dentista, que retirou um cisto. Depois disso, o profissional notou alterações na pele e a encaminhou para um dermatologista.
Três biópsias confirmaram carcinoma basocelular, o tipo mais frequente de câncer de pele. Ainda assim, novas lesões continuaram surgindo. Em cerca de 30 anos, Hilaria passou por 87 biópsias.
Entre novembro de 1998 e dezembro de 2016, ela também fez radioterapia. Além disso, a sequência de tratamentos afetou a rotina familiar, e Hilaria diz que não acompanhou o crescimento das filhas como gostaria.
Como a doença evoluiu
Quando o organismo já não suportava novas intervenções, os médicos investigaram a quantidade alta de tumores. Foi então que identificaram a síndrome de Gorlin-Goltz. Depois do diagnóstico, ela passou por seis sessões de quimioterapia, aplicadas a cada 21 dias.
Além disso, Hilaria começou a tomar um medicamento em comprimidos. Mesmo assim, os tumores continuaram aparecendo. Como todas as células têm a mesma alteração, cada lesão conta como um novo tumor.
Assim, os médicos consideram que ela teve 73 episódios do mesmo tipo de câncer. A síndrome está presente desde a primeira célula do embrião e, na maioria dos casos, vem de um dos pais.
Há ainda 50% de chance de transmissão para cada filho. Porém, a condição também pode surgir em crianças cujos pais não têm a síndrome. A exposição à radiação ultravioleta pode provocar mutações adicionais.
Hilaria viveu em área rural e trabalhou varrendo ruas durante dez anos. Esses fatores podem ter contribuído para o acúmulo de tumores, segundo a explicação médica descrita no caso.
Cirurgia aguarda liberação
As lesões podem começar como feridas que não cicatrizam. Depois, elas avançam e destroem tecidos próximos, além de atingir vasos sanguíneos e nervos.
Quando a cirurgia não é possível, a radioterapia pode ser uma alternativa. No caso de Hilaria, no entanto, as doses disponíveis para as regiões afetadas já foram utilizadas. O comprimido tomado todas as noites reduz o risco de novos tumores, mas não impede que eles apareçam.
A doença destruiu parte do nariz da brasileira. Quinze dias depois, a outra metade também foi comprometida, e um dos olhos precisou ser retirado. Durante um ano e meio, ela tentou esconder as cavidades com gaze e sentia medo ao se aproximar do hospital.
Agora, Hilaria espera a reconstrução facial. Um cirurgião plástico entrou em contato com ela pelo Instagram e pediu exames, mas ela ainda aguarda as guias. O procedimento prevê a reconstrução do nariz e a colocação de uma prótese na região do olho.
A cirurgia, porém, não trata a síndrome. Ainda não existe terapia capaz de corrigir os genes envolvidos na condição.



