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Tática de Janones nas redes inspira campanhas na Europa e na Argentina

Estratégia usada na campanha de Lula ganhou adesão em canais de França, Espanha, Argentina e até do México.

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Tática de Janones nas redes inspira campanhas na Europa e na Argentina
Foto: Reprodução

A tática de Janones nas redes sociais, usada na campanha de Lula, passou a influenciar grupos políticos fora do Brasil. França, Espanha e Argentina adotaram canais inspirados no Exército do Lula para ampliar conteúdos e engajar apoiadores.

Segundo levantamento apresentado pelo g1, esses três canais estrangeiros cresceram de 123 mil para 249 mil integrantes em dois dias. O avanço, assim, representa alta de 102,44% e acompanha o interesse por essa estratégia digital.

A tática de Janones também chamou atenção pelo alcance do canal brasileiro, que reuniu mais de 10,7 milhões de seguidores no WhatsApp em três semanas. Para profissionais ouvidos pelo UOL, o diferencial esteve em transformar simpatizantes em participantes ativos.

Mobilização digital

Durante o segundo turno, Janones distribuiu orientações para coordenar a militância em diferentes plataformas. A ideia era dar uma tarefa a cada apoiador e, dessa forma, aumentar a circulação de mensagens favoráveis a Lula.

“Primeiro curta, comente, compartilhe no terceiro botão. Depois envie no direct para todos seus contatos, poste nos stories, me marque e depois encaminhe o vídeo no Whatsapp. Por último, assista até o final”, disse André Janones.

Para Felipe Soutello, que coordenou o marketing da campanha de Simone Tebet, a diferença esteve na escala alcançada. “Não foi exatamente uma inovação. As campanhas já capacitam a militância neste sentido. O que fez a diferença foi Janones conseguir escalonar isso de forma exponencial a partir do ambiente digital”, afirmou.

O engajamento também apareceu em transmissões e publicações ligadas à campanha. Uma postagem de Lula e Janja, em comemoração à vitória, chegou a 676 mil reações quase em tempo real. Além disso, uma live feita dois dias antes da votação ultrapassou 2,1 milhões de espectadores simultâneos no YouTube.

Estratégia fora do Brasil

Na França, o canal L’équipe de Mélenchon officielle teve a maior expansão entre os três exemplos. Ele saiu de 57 mil para 147 mil integrantes, com alta de 157,89%, e apoia Jean-Luc Mélenchon, fundador do França Insubmissa.

Responsável pela comunicação do partido, o deputado Antoine Leaument também publicou instruções parecidas com as usadas no Brasil. “Conto com vocês. Antes de entrar no canal, curta o vídeo, compartilhe e retuite com um comentário. Impulsionem o algoritmo, vocês sabem o que fazer e por que fazer”, afirmou.

Na Espanha, o canal La fuerza de la gente, criado em apoio ao primeiro-ministro Pedro Sánchez, passou de 25 mil para 42 mil participantes. O avanço foi de 68%, e Sánchez também convidou Janones para colaborar com sua campanha.

Após a vitória de Lula, o primeiro-ministro escreveu no X: “O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A remontada [virada] do progressismo global acaba de começar”.

Na Argentina, o Ejército del Peronismo, ligado à ala jovem e mais à esquerda da oposição a Javier Milei, subiu de 41 mil para 60 mil integrantes. O crescimento foi de 46,34%, enquanto o interesse também chegou ao México, onde Claudia Sheinbaum convidou o parlamentar brasileiro para uma visita de trabalho.

Avaliação de especialistas

Especialistas ouvidos pelo g1 divergem sobre a possibilidade de repetir o desempenho brasileiro em outros países. Para Giuliano Salvarani, costumes de uso das plataformas e diferenças políticas interferem nos resultados.

“Não acredito que a estratégia de Janones tenha o mesmo impacto nesses outros países, até porque eles possuem outra forma de se socializar nas redes sociais e nos aplicativos, que inclusive são diferentes dos que usamos frequentemente aqui. É um modelo que pode ser aproveitado, mas não necessariamente replicado”, disse.

Soutello também levantou dúvidas sobre a dependência da figura do deputado. “Isso porque essa fórmula dependeu demais do próprio Janones, que virou um personagem. Haverá outros para assumir esse papel?”, questionou.

Já Antonio Lavareda avaliou que a principal lição está na reorganização da campanha de Lula entre os dois turnos. Segundo ele, a equipe combinou diferentes frentes de comunicação e estímulos emocionais.

“A campanha de Lula se reinventou. Saiu do modo quase inercial do primeiro turno para uma campanha multidimensional coerente com os mandamentos do marketing político moderno para o segundo turno, com uma equação emocional vencedora: entusiasmo pelas conquistas e medo de perdê-las”, disse.