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Megaoperação no Rio completa um ano com 33 foragidos

Contenção deixou 122 mortos e segue alvo de críticas por abusos e pelos resultados na segurança pública.

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Megaoperação no Rio completa um ano com 33 foragidos
Foto: Reprodução

A megaoperação no Rio completou um ano nesta quarta-feira (28) com ao menos 33 alvos de mandados de prisão foragidos. A Operação Contenção ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, e terminou com 122 mortos, entre eles cinco agentes de segurança.

Além disso, o resultado da ação segue sob questionamento de especialistas em segurança pública. A operação mobilizou cerca de 2,5 mil policiais e, desde então, relatórios e levantamentos apontam efeitos distintos nos índices de violência.

Alvos seguem foragidos

Entre os procurados está Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso. Ele é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho. Segundo apuração do portal g1, ele e outros integrantes importantes da facção seguem no Complexo da Penha.

Antes da operação, o Ministério Público denunciou 69 suspeitos. A Justiça recebeu a denúncia e expediu mandados de prisão contra 51 pessoas. Também houve ordens de busca e apreensão em 145 endereços ligados a 54 denunciados.

No dia da ação, 99 pessoas foram presas. Desse total, 17 eram procuradas por mandados e 82 foram detidas em flagrante. Um dos alvos, Ygor Freitas de Andrade, o Matuê, havia morrido antes da operação.

O balanço dos 33 foragidos consta de relatórios do governo estadual encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), com informações da Polícia Civil. Ainda no dia da ação, moradores retiraram dezenas de corpos de uma área de mata e os levaram à Praça São Lucas, na Estrada José Rucas.

Indicadores recuaram, mas há ressalvas

Os registros de tiroteios caíram no período seguinte à operação. O Instituto Fogo Cruzado contabilizou 41 tiroteios nos 12 meses anteriores à Contenção. Já nos 11 meses e 15 dias seguintes, foram 16 registros.

Houve também redução nas ocorrências com mortos e feridos. Antes da megaoperação, o instituto registrou 12 mortos e 17 feridos. Depois, anotou um morto e um ferido.

Pesquisadores ouvidos pelo portal g1 afirmam, porém, que a queda nos números não comprova perda de território. Segundo eles, os dados não mostram, por si só, enfraquecimento da organização criminosa.

Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos Novos Ilegalismos, da UFF, disse que não é possível atribuir diretamente a Contenção a variação dos indicadores. “Quando a polícia saiu, as bocas de fumo voltaram a funcionar e o território continua totalmente sob controle do Comando Vermelho. Não teve perda territorial por causa dessa operação”, afirmou.

Armas apreendidas e críticas

Na Contenção, as forças de segurança apreenderam 122 armas. Foram 96 fuzis, 25 pistolas e um revólver. Também houve recolhimento de carregadores, munições e 12 artefatos explosivos.

O prejuízo estimado para a facção com os armamentos chegou a R$ 12 milhões. Alessandro Visacro, analista de segurança, defende que ações desse porte integrem uma estratégia contínua contra lideranças, armamentos e estruturas de sustentação dos grupos criminosos.

Ele também destacou granadas, explosivos, rádios e drones como sinais da estrutura militarizada desses grupos. “As iniciativas são importantes, necessárias, mas sozinhas não surtem efeito”, disse.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e outras entidades criticaram a letalidade da ação. Uma pesquisa Quaest divulgada menos de um mês depois apontou aprovação de 67% dos brasileiros e desaprovação de 25%.

Impacto nas escolas e suspeita de abusos

Na rede municipal, o número de escolas do Alemão que fecharam ao menos uma vez por causa de operações ou confrontos passou de 25 para 29. Na Penha, 16 unidades foram afetadas em cada intervalo analisado.

A Secretaria de Estado de Educação informou que os impactos na rede estadual variam conforme a ocorrência. Segundo a pasta, as escolas recebem orientação para repor conteúdos e seguem protocolos de proteção firmados com o Ministério Público.

Nesta quarta-feira (28), a 3ª Defensoria Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos divulgou relatório sobre imagens de câmeras usadas por policiais durante a Contenção. O documento aponta indícios de tortura, agressões, ameaças de morte e intimidação de moradores.

O relatório também descreve sufocamento com pano ensanguentado, aplicação de choques elétricos em civis, ameaças de execução e destruição de provas por policiais.